O Brasil que dá certo
"Reportagemda Veja Online sobre pesquisas com plantas cita a Fibria e a Eldorado cita depoimento de ex-aluno de Pós-Graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho "
Data da Notícia: 19/08/2014
Do solo da região de Petrolina, no sertão de Pernambuco,
nasce um tipo exótico de fruta: a uva com sabor de
algodão-doce. Não se trata de uma anomalia. Pelo
contrário. A variedade é resultado de investimentos elevados.
Há três anos, as Fazendas Labrunier decidiram aplicar 4
milhões de reais em pesquisa e criar no entorno da cidade
pernambucana, com a participação de cinco geneticistas
estrangeiros e da Embrapa, a maior área experimental de uvas do
planeta. Dos 880 hectares produtivos, 374 são usados para pesquisas
com 110 novos tipos de uva. “Só conseguimos competir com o
exterior porque fazemos muitos estudos. Se há um lado positivo no
custo Brasil é que ele nos obriga a buscar soluções
para termos a maior eficiência possível”, diz Arnaldo
Eijsink, presidente do Grupo JD, que controla as fazendas.
Em Petrolina, a tecnologia e a irrigação adequada
transformaram o terreno seco em uma área fértil de cultivo de
uvas, mangas e outras frutas. A maior parte do que lá é
produzido acaba exportada para a Europa e os Estados Unidos. E não
é possível ganhar esses mercados sem inovação
constante. Desde que as pesquisas começaram, a produtividade anual
das Fazendas Labrunier saltou de 25 para 35 toneladas por hectare. No ano
passado, a cidade passou a abrigar também um centro de pesquisas da
multinacional Monsanto, que investiu ali até o momento mais de 20
milhões de dólares, sem nenhuma contrapartida do
município ou do estado. O clima ensolarado da cidade facilita o
trabalho. “Este é um dos melhores lugares do planeta para
fazer pesquisa. Temos aqui a segunda mais importante unidade de pesquisas
da Monsanto no mundo”, diz o chileno Alejandro Inojosa Arriagada,
responsável pela unidade.
As pesquisas que permitem o desenvolvimento de novos tipos de fruta em
laboratório são a face mais recente da evolução
tecnológica do campo brasileiro. A 2 300 quilômetros de
Petrolina, em Três Lagoas (MS), a Expedição VEJA
conheceu a Eldorado, a maior fábrica de celulose do planeta, e uma
unidade da Fibria, outro gigante do setor. As indústrias se
instalaram na cidade há menos de cinco anos. As florestas de
eucalipto que abastecem as fábricas se espalham pela região e
exibem árvores com altura e folhagem idênticas a
distância. O conjunto não forma a paisagem mais interessante
do mundo, mas a técnica utilizada proporciona ganhos maiores aos
produtores: as pragas são controladas, e os pesquisadores preveem
com segurança as etapas do ciclo de produção.
Não é preciso ajustar as máquinas constantemente,
já que os troncos das árvores possuem espessura igual.
“Nossas plantações têm baixa mortalidade e alta
produtividade porque são homogêneas”, diz Miguel Cadini,
coordenador de silvicultura da Fibria. As pesquisas que permitiram a
criação de espécies próprias de eucalipto, mais
adaptadas ao clima e ao solo brasileiros, começaram ainda na
década de 70. A iniciativa foi da Aracruz Celulose, hoje incorporada
à Fibria. Os eucaliptos plantados no Brasil estão prontos
para a derrubada em até sete anos, um tempo menor do que a
média internacional. Além disso, a tecnologia torna
possível um aproveitamento maior do espaço plantado. O uso da
clonagem fez a produtividade dobrar. E os testes para a
produção de mudas mais resistentes continuam.
Enquanto isso, os vizinhos matogrossenses contam os ganhos de mais uma
colheita recorde. Na safra 2012/ 2013, a produtividade da soja nacional
ficou em 2,94 toneladas por hectare, 10% acima da dos Estados Unidos, o
principal concorrente do Brasil. Em Mato Grosso, o resultado foi de 3,35
toneladas por hectare. A região de Sorriso (MT) é a que mais
contribui para esse número. Nos últimos anos, a agricultura
de alta precisão vem ganhando espaço em Mato Grosso. Em vez
de colherem apenas amostras do solo e calcularem os fertilizantes com base
em uma estimativa geral, os produtores passaram a mapear áreas
inteiras das propriedades e a corrigir o solo de acordo com a
gradação de cada pequeno pedaço de terra. Isso permite
o uso de máquinas de alta precisão, com GPS, para fertilizar
o solo e plantar. Os tratores operam praticamente sozinhos. O incentivo
às inovações é uma das
explicações para o sucesso de Sorriso e se deu graças
à iniciativa privada. O Estado veio a reboque, como quase sempre
acontece no Brasil que dá certo.
Fonte: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/plantas-de-proveta
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