Mostra de Fotografia na biblioteca da
Unilins
De 11/08 a 13/09
Das 9h às
22h
PÁSSAROS, POETAS, LOUCOS
O céu e o que está além
dele sempre fascinaram o ser humano. Símbolo de
liberdade e mistério nos provoca a romper as amarras da
condição de atados ao chão e a dura realidade do dia a
dia. Trazemos o profundo desejo do vôo, da
transcendência intangível.
“A Arte existe, porque a vida não
basta”. (Ferreira Gullar)
Como crianças ensaiamos vôos
constantes: empinamos pipas coloridas, construímos
aviõezinhos de papel e os atiramos bem, bem alto na expectativa de
que se mantenham bastante tempo no ar, fazemos paraquedas de sacolas
plásticas enrolados em pedrinhas e os lançamos ao
céu contemplando a suave queda, sentimos a brisa
forte no rosto nos deliciosos balanços debaixo da mangueira,
amarramos uma toalha nas costas, e saímos em disparada com os
braços esticados dando pequenos saltos na expectativa do arremesso
preciso sem volta ao chão. Esses e outros pequenos exercícios
reais e imaginativos são o solo fértil onde germinaram outros
maiores e mais mirabolantes que sustentaram uma vida adulta mais
saudável. Não podem servir apenas de
recordações de uma infância feliz guardadas num velho
álbum de fotos no fundo da gaveta, mas precisam ser ressignificados,
estimulados e renovados cada manhã.
"As crianças não
crescem e sim os brinquedos que não cabem mais na
caixinha”
é o princípio que inspirou essa série de fotografias
de Elton
Vieira,
artista que escondido atrás da gravata e
formalidades de bancário, se lança ao exercício
criativo através da Fotografia.
Desde 2010 vem experimentando os recursos
técnicos e poéticos que essa Arte proporciona.
Com o tema:
“Pássaros, Poetas e
Loucos”, nos apresenta belas imagens de paraquedistas
com seus velames coloridos desafiando os próprios limites e a
natureza ao se lançarem em sonhos possíveis para além
da linha do horizonte.
Sua lente registrou cerca 800 saltos entre Lins
e Penápolis, onde hoje vários destes “poetas
flutuantes” ao longo do tempo tornaram-se instrutores dessa
prática.
A imaginação
criativa liberta o homem de sua condição, mas só se
concretiza através do método e da práxis. Essa
é a síntese do mito grego de Ícaro e seu pai
Dédalo. Dédalo simboliza a mente engenhosa, criativa,
hábil e Ícaro a liberdade sonhadora. Ambos se completam e se
sustentam, porém a lenda também nos alerta sobre as teias da
natureza humana quanto à ganância, medo, ilusão,
inveja, etc. Talvez essas sejam algumas das pedras que ainda nos impendem a
um vôo pleno.
“... uma vez que você
tenha experimentado voar, você andará pela terra com seus
olhos voltados para o céu, pois lá você esteve e para
lá você desejara voltar.”
Fonte: Deraldo Ferreira Neto