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Decifra-me ou te devoro
"Pesquisa aponta queda do analfabetismo no País. Mas a maioria dos que lêem não entende o que está escrito." Data da Notícia: 12/09/2005 Entendeu o que está escrito ali em cima? Costuma ler revistas sem
dificuldade? Então, parabéns! Você pertence ao seleto grupo de brasileiros
capaz de decodificar as informações presentes em um texto longo, privilégio
de um quarto da população. O Instituto Paulo Montenegro, braço social do
Ibope, acaba de divulgar, em parceria com a ONG Ação Educativa, os
resultados da edição 2005 do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional
(Inaf), criado em 2001 para investigar a capacidade cognitiva dos
brasileiros. Nos anos pares, o objeto da pesquisa são as operações
matemáticas; nos anos ímpares, o assunto é português. Entende-se por
alfabetismo funcional a capacidade de emprego do conhecimento para o
desempenho da cidadania e das atividades cotidianas.
A análise comparativa dos resultados obtidos até hoje aponta para a
necessidade de se revolucionar o sistema de ensino no País. Enquanto a taxa
de analfabetismo absoluto caiu de 9% para 7% desde 2001, a turma dos
plenamente alfabetizados manteve-se em 26%. Os restantes, apesar de saberem
ler e escrever, não ultrapassam os limites de um anúncio, uma faixa de
trânsito ou uma manchete de jornal. Para a diretora da Ação Educativa, Vera
Masagão, não basta universalizar o acesso à escola. “É preciso melhorar o
ensino. Apenas 67% dos brasileiros de 15 a 64 anos completaram a oitava
série. Esse grupo tem um desempenho cognitivo pior do que em 2001”, diz
ela. Nem o ensino médio dá conta do problema. Dentre os três patamares de
alfabetização funcional considerados pelo Inaf – rudimentar, básico e pleno
–, 36% dos que passaram pelo menos 11 anos na escola foram enquadrados no
“nível básico” e 7% no “nível rudimentar”. “É triste que uma pessoa aprenda
a escrever uma ou duas frases e volte para casa dizendo-se alfabetizada”,
diz Fábio Montenegro, secretário executivo do Instituto Paulo Montenegro.
“Logo ela vai perceber que tudo continua igual. Ela ainda não consegue ler
bula de remédio, não sabe verificar a validade dos produtos nem calcula um
desconto de 10% oferecido por uma loja”, diz.
Um primeiro subproduto gerado pelo indicador foi o encontro Lema (Leitura,
Escrita e Matemática para a Alfabetização), realizado entre a sexta-feira 9
e o sábado 10, em São Paulo, com representantes de 60 iniciativas
brasileiras bem-sucedidas de combate ao analfabetismo funcional. A próxima
etapa é estabelecer parceria com o empresariado para começar a solucionar o
problema. Acaba de ser criado o Inaf Empresarial, voltado a ambientes
corporativos. “Não adianta fixar um comunicado e achar que ele será
compreendido por todos os funcionários. Com o indicador, vamos verificar o
grau de alfabetização nas empresas e, a partir daí, gerar programas de
educação continuada para os que não obtiverem resultados satisfatórios”,
diz Montenegro. Ele explica que isso sai mais barato do que realizar
demissões e anuncia a criação do Prêmio Inaf para celebrar os melhores
projetos. |
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