O olhar pessoal de Lígia
é bastante rico, sensível, passeia por temas diversos, e esse
seu interesse sobre os vários aspectos da vida ressoa
significativamente em sua pintura. As obras em
exposição na biblioteca são uma
exaltação a natureza e seus elementos. Não como meio
natural que está à margem ou no entorno do ser humano, mas
como elemento integrador, fundido e unificado entre si como uma
expressão de completude: representação
alegórica da própria vida.
Uma majestosa árvore dourada
ocupa o centro da mostra, talvez seja a obra que figura um dos maiores
temas simbólicos de muitas culturas. A Árvore simboliza a
própria vida e as conexões que se estabelecem entre a Terra e
o Céu. Outro quadro em menor dimensão traz a imagem de uma
divindade feminina do Budismo Vajrayana: a Tara Verde. Representa a
perfeita sabedoria, também é aquela que está pronta
para atender aos pedidos e livrar seus filhos das aflições.
De cor verde e envolta por flores e plantas exuberante, são
analogias as qualidades e ações desta divindade
(flexibilidade, agilidade, formas diferentes de agir e se adaptar entre
outras). É comum identificar em várias culturas,
associações da figura materna com a natureza, como sendo
genitora, provedora, acolhedora, de amor incondicional e equânime e
também quando necessário, uma feroz guerreira.
As imagens são fluidas e
poéticas, navegam numa atmosfera entre o consciente e o
inconsciente, representações que vão além do
mundo que se vê, tentam se aproximar do que é essencial
capturar o seu fluxo, suas possíveis relações e
qualidades.
A palheta de cores da artista
é diversificada onde as misturas provocam uma
matização luminosa das formas, e por vezes os limites entre
figura e fundo se desmancham. Em meio à fluidez, surgem contrapontos
pictóricos formando brechas de contrastes. Confere à tinta
acrílica uma qualidade de aquarela. As pinceladas lisas completam a
sensação de delicadeza.
Na biblioteca da
Unilins.
De 05 a 30 de
junho.
Das 8h às
22h.
Fonte: Deraldo Ferreira Neto