Pela primeira vez na história do ensino superior
brasileiro, o número de calouros em engenharia superou o de direito.
A área agora só fica atrás de
administração. Os dados foram levantados pelo
Ministério da Educação, a partir dos seus
censos.
Física, química e matemática
não 'chamam atenção' de estudantes
Médico desiste da carreira para se tornar
engenheiro
Análise: Mudança no perfil da procura
por curso superior é positiva
O aumento do interesse pela engenharia acontece num momento de
deficit de profissionais na área, iniciado na década
passada.
Em 2006, foram 95 mil ingressantes em engenharia (5% do total).
Cinco anos depois, eram 227 mil (10%). Cresceram tanto o número de
vagas públicas e privadas quanto o de candidatos.
Já a quantidade de calouros em direito recuou
4%.
A expansão do número de ingressantes em engenharia
é um avanço, porém, ainda insuficiente para resolver a
carência da área no país, afirma o ministro da
Educação, Aloizio Mercadante.
Primeiro, não é garantido que os novos ingressantes
na área se formem. Levantamentos mostram que, atualmente, menos da
metade dos calouros de engenharia consegue terminar o curso.
Em número de estudantes concluintes, direito segue à
frente das engenharias.
Além disso, o deficit de profissionais ainda é muito
superior ao volume de universitários concluintes. Foram 45 mil em
2011, ante uma necessidade de ao menos 70 mil novos engenheiros ao ano, de
acordo com cálculos oficiais.
"Há uma mudança importante no sistema", disse
à Folha o ministro da
Educação.
"Nas décadas com hiperinflação e baixo
crescimento havia muitos conflitos. A área de interesse era o
direito. Agora, há crescimento da construção civil, de
obras de infraestrutura, de desenvolvimento tecnológico",
disse.
"Sabemos, por outro lado, que precisamos de mais engenheiros",
completou.
Para Roberto Lobo, ex-reitor da USP e consultor na área de
educação superior, "o momento é positivo, mas os
ganhos podem se perder".
Lobo diz que há o risco de a evasão na engenharia
crescer, pois, com o aumento no número de alunos, a tendência
é que mais estudantes com dificuldades na área de exatas
entrem nas faculdades.
"As escolas terão de se preocupar ainda mais em dar
reforços de conteúdos básicos."
Mercadante aponta outra dificuldade nos cursos. "São muito
teóricos. O aluno fica anos sem ver nada de engenharia, são
só cálculos, física. Muitos desistem."
A pasta organizará fóruns para influenciar as
instituições a colocarem atividades práticas nos
primeiros anos do curso e a aumentarem os estágios aos
estudantes.
Fonte: Folha