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Cada um com seus problemas
"DE QUEM são os problemas que os alunos enfrentam na escola? Deveriam ser deles, e só deles, e deveriam ser resolvidos lá, na própria escola. "

Data da Notícia: 31/10/2012


DE QUEM são os problemas que os alunos enfrentam na escola? Deveriam ser
deles, e só deles, e deveriam ser resolvidos lá, na própria escola.

Entretanto, hoje, os problemas são muito mais da responsabilidade dos pais
do que dos próprios estudantes. Vamos analisar essa questão a partir de um
exemplo?

A mãe de um garoto de 11 anos me escreveu contando sua saga. Ao fim do
semestre letivo passado, descontente com os encaminhamentos dados pela
instituição que o filho frequentava, ela decidiu transferi-lo. Você sabe o
que isso significa, não sabe?

Essa mãe precisou conhecer várias escolas até conseguir escolher uma. A
escola pediu um encontro com a criança, fez algum tipo de avaliação e disse
que poderia, sim, aceitar a transferência. Foi o que a mãe fez.

Agora que o aluno já completa quase um bimestre na nova escola e apresenta
alguns resultados nas avaliações o alerta vermelho foi acionado. Para a
mãe.
O filho está com notas bem baixas em língua portuguesa, o que nunca
acontecera anteriormente. Você já sabe como proceder em situações como
essa, não sabe?

Mãe ou pai vão à escola conversar com alguém responsável. Pode ser o
professor, o coordenador, o orientador. No caso de nossa leitora, foi a
orientadora da classe quem a recebeu.

A mãe saiu de lá com uma orientação: providenciar aulas particulares para o
filho. Com a transferência, aconteceu um imprevisto: o aluno já aprendera
na outra escola conteúdos que ainda não foram dados na nova, mas ficou sem
estudar outros. Por isso tem apresentado baixos resultados nas avaliações.

Em nenhum momento a escola assumiu a responsabilidade de ajudar o aluno a
acertar o passo com a sua nova classe, tampouco passou o problema para que
a própria criança o resolvesse. A questão foi parar mesmo é no colo da
mãe.

E lá foi ela pesquisar aulas particulares. Se você já usa tal recurso, sabe
o que significa: podem custar até R$ 80 cada uma. Tem mais: em geral, as
professoras não aceitam uma aula por semana. No mínimo duas, para garantir
a recuperação necessária.

E assim tem sido escrita a história da relação das crianças com suas vidas
escolares.

Há um batalhão de adultos assumindo essa luta que deveria ser dos alunos,
orientados e acompanhados por seus professores, na escola.
Isso tem acontecido principalmente -mas não apenas- porque elegemos a
performance escolar das crianças como indicador das chances de seu futuro
ser melhor ou pior. De acordo com esse pensamento, um bom aluno tem boas
chances no futuro, um mau aluno, não. Se isso é verdade, não sabemos. Mas
agimos como se fosse.

E nem nos damos conta de que, se isso valer -o que duvido- estamos
atrapalhando nossas crianças. Sim porque, de quem tem sido a boa
performance nesse contexto?
Dos pais, dos professores particulares, dos orientadores etc. Menos dos
alunos.

A eles, só resta acatar as decisões que tomamos, passivamente. Numa boa
hipótese, ele se rebelam contra elas, recusando o estudo e todas as suas
implicações.

Como me disse outro dia um garoto de idade próxima ao filho de nossa
leitora: "Quando eu vou mal na escola, minha mãe fica nervosa. Eu é que
deveria ficar, não é? Mas ela não entende isso".

É, pelo jeito não temos entendido mesmo.
		

Fonte: Rosely Sayão



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