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Buscando a excelência
""A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente. Autoridades desinformadas, alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos poucos vão se tornando reduto de pobreza intelectual" " Data da Notícia: 27/09/2012 "A mediocridade reina, assustadora, implacável e persistente. Autoridades
desinformadas, alunos que saem do ensino médio semianalfabetos e assim
entram nas universidades, que aos poucos vão se tornando reduto de pobreza
intelectual"
Quando falo em excelência, não me refiro a ser o melhor de todos, ideia que
me parece arrogante e tola. Nada pior do que um arrogante bobo, o tipo que
chega a uma reunião, seja festa, seja trabalho, e já começa achando todos
os demais idiotas. Nada mais patético do que aquele que se pensa ou se
deseja sempre o primeirão da classe, da turma, do trabalho, do bairro, do
mundo, quem sabe? Talento e discrição fazem uma combinação ótima.
Então, excelência para mim significa tentar ser bom no que se faz, e no que
se é. Um ser humano decente, solidário, afetuoso, respeitoso, digno,
esperançoso sem ser tolo, idealista sem ser alienado, produtivo sem ser
viciado em trabalho. E, no trabalho, dar o melhor de si sem sacrificar a
vida, a família, a alegria, de que andamos tão carentes, embora os trios
elétricos desfilem e as baladas varem a madrugada.
Estamos carentes de excelência. A mediocridade reina, assustadora,
implacável e persistente. Autoridades, altos cargos, líderes, em boa parte
desinformados, desinteressados, incultos lamentáveis. Alunos que saem do
ensino médio semianalfabetos e assim entram nas universidades, que aos
poucos - refiro-me às públicas - vão se tornando reduto de pobreza
intelectual. As infelizes cotas, contra as quais tenho escrito e às quais
me oponho desde sempre, servem magnificamente para alcançarmos este
objetivo: a mediocrização também do ensino superior. Alunos que não
conseguem raciocinar porque não lhes foi ensinado, numa educação de
brincadeirinha. E, porque não sabem ler nem escrever direito e com
naturalidade, não conseguem expor em letra ou fala seu pensamento truncado
e pobre. Professores que, mal pagos, mal estimulados, são mal preparados,
desanimado e exaustos ou desinteressados. Atenção: há para tudo isso
grandes e animadoras exceções, mas são exceções, tanto escolas quanto
alunos e mestres. O quadro geral é entristecedor.
E as cotas roubam a dignidade daqueles que deveriam ter acesso ao ensino
superior por mérito, porque o governo lhes tivesse dado uma ótima escola
pública e bolsas excelentes: não porque, sendo incapazes e despreparados,
precisassem desse empurrão. Meu conceito serve para cotas raciais também:
não é pela raça ou cor, sobretudo autodeclarada, que um jovem deve
conseguir diploma superior, mas por seu esforço e capacidade, porque teve
ótimos 1° e 2° graus em escola pública e/ou bolsas que o ampararam. Além do
mais, as bolsas por raça ou cor são altamente discriminatórias: ou teriam
de ser dadas a filhos de imigrantes japoneses, alemães, italianos, que
todos sofreram grandemente chegando aqui, e muitos continuam precisando de
esforços inauditos para mandar um filho à universidade.
Em suma, parece que trabalhamos para facilitar as coisas aos jovens, em
lugar de educá-los com e para o trabalho, zelo, esforço, busca de mérito,
uso de sua própria capacidade e talento, já entre as crianças. O ensino nas
últimas décadas aprimorou-se em fazer os pequenos aprender brincando. Isso
pode ser bom para os bem pequenos, mas já na escola elementar, em seus
primeiros anos, é bom alertar, com afeto e alegria, para o fato de que a
vida não é só brincadeira, que lazer e divertimento são necessários até à
saúde, mas que escola é também preparação para uma vida profissional
futura, na qual haverá disciplina e limites - que aliás deveriam existir em
casa, ainda que amorosos.
Muitos dirão que não estou sendo simpática. Não escrevo para ser agradável,
mas para partilhar com meus leitores preocupações sobre este país com suas
maravilhas e suas mazelas, num momento fundamental em que, em meio a
greves, justas ou desatinadas, projetos grandiosos e seguidamente vãos - do
improviso e da incompetência ou ingenuidade, ou desinformação -,se delineia
com grande inteligência e precisão a possibilidade de serem punidos aqueles
que não apenas prejudicaram monetariamente o país, mas corroeram sua moral,
e a dignidade de milhões de brasileiros. Está sendo um momento de
excelência que nos devolve ânimo e esperança.
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