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Brasil quer facilitar ingresso de mão de obra estrangeira qualificada
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Data da Notícia: 10/09/2012


A economia brasileira vive um momento extremamente favorável, e setores
como engenharia, tecnologia da informação e construção civil estão em plena
expansão, com inúmeras vagas não preenchidas. Empresas e indústrias
brasileiras estão enfrentando dificuldades para encontrar mão de obra
qualificada no país.

Para tentar suprir essa demanda, o governo brasileiro estuda medidas para
facilitar a importação de mão de obra qualificada estrangeira, como
confirmou à DW Brasil o ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da
Presidência da República, Moreira Franco.

Segundo ele, esta é uma luta contra o tempo, já que a necessidade de
profissionais qualificados é urgente. "Os processos ainda estão muito
lentos. Nós precisamos ter mecanismos mais rápidos de validações de
diplomas, agilizar o processo de visto, definir com mais clareza o foco
para a área de qualificação, como também criar um ambiente que seja
favorável e estimulante ao imigrante no país", afirmou.

Moreira Franco afirma que a falta de mão de obra se deve não apenas à má
política educacional nos últimos anos, mas também ao longo período de
depressão econômica brasileira. "Nós tivemos nas últimas décadas, uma delas
chamada de década perdida, um processo quase hiperinflacionário que
desorganizou a economia brasileira. É evidente que o processo educacional
ficou prejudicado pela falta de perspectiva no mercado de trabalho",
argumentou.

Mais estrangeiros no país
A mão de obra estrangeira representa hoje apenas 0,3% do força de trabalho
no Brasil, mas as estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego mostram
que a presença dos estrangeiros no país está aumentando nos últimos anos.
Em 2011, foram concedidas 70.524 autorizações de trabalho para não
brasileiros, quase três vezes mais do que as 25.400 de 2006.

Só no primeiro semestre deste ano foram concedidas 32.913 autorizações de
residência para estrangeiros, um aumento de quase 24% em relação a igual
período do ano passado. Deste total, quase 30 mil são pessoas com nível
superior completo, técnicos profissionais, mestres e doutores.

Para o ministro Moreira Franco, “este número ainda é muito pequeno diante
da necessidade que temos”. Segundo ele, a falta de trabalhadores
qualificados pode deixar o mercado brasileiro menos competitivo e, a médio
e longo prazo, se tornar um dos fatores que podem levar à estagnação da
economia.

Mas o economista Ricardo Franco Teixeira, da Fundação Getúlio Vargas,
afirma que este gargalo ainda não foi constatado. “Não se pode estabelecer
nenhuma relação entre o baixo ritmo de crescimento da economia brasileira e
a necessidade de mão de obra qualificada”, afirmou.

Segundo ele, é difícil precisar a real necessidade do mercado brasileiro
por mão de obra qualificada. "O número vai depender da taxa de crescimento
da economia nos próximos meses e anos”, declarou Teixeira.

Entraves burocráticos
Quando o assunto é política de imigração, o Brasil ainda tem muitas
dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas, que atrasam e
desmotivam a vinda da mão de obra qualificada estrangeira para o país.

O engenheiro agrônomo Merlin Otte, formado pela Universidade de Bonn, na
Alemanha, conta que tentou validar seu diploma na Universidade Federal do
Mato Grosso, mas acabou desistindo.

Segundo ele, a demora na avaliação do processo (com previsão inicial de
pelo menos seis meses), os altos custos, a falta de normas específicas e a
incerteza de sucesso o levaram a abandonar a ideia. "Só vou continuar a
partir do momento em que eu tiver a certeza de que terei um trabalho. Você
tem que ter uma ‘energia' disponível para isso."

A questão está na falta de um modelo padrão de validações de diplomas. Como
lembra o diretor do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico no Brasil,
Christian Müller, os procedimentos não se dão em nível nacional.

"Na maioria dos casos, não cabe ao governo federal proceder essas
validações. Isso é sempre feito a nível local e estadual, nas universidades
onde a pessoa vai procurar, que depois se comunica com a Secretaria da
Educação do próprio estado. É uma questão que foge um pouco da atuação
federal", disse.

Acordo com Portugal
Para tentar criar condições mais favoráveis e atrativas para validações de
diplomas de profissionais estrangeiros, foi assinado em meados de agosto um
memorando entre a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições
Federais de Ensino Superior (Andifes) e o Conselho de Reitores das
Universidades Portuguesas (Crup). O objetivo é agilizar os processos de
reconhecimento de graus e títulos acadêmicos.

O presidente do Crup, António Rendas, informou que um grupo de trabalho foi
criado e deverá definir os critérios comuns entre as universidades até o
final deste ano. "Já estamos a fazer o levantamento dos procedimentos nos
dois países", afirmou.

Numa fase inicial, o memorando assinado abrangerá os cursos de arquitetura
e engenharia, mas deverá ser estendido à outras áreas de formação.

O acordo com Portugal poderá ganhar uma abrangência europeia. O presidente
da Comissão de Relações Internacionais da Andifes, Targino de Araújo,
afirmou que "a comissão ainda não se debruçou sobre o assunto". Mas como
existe um modelo educacional padrão na União Europeia, outros países
poderão usufruir desses procedimentos de validação acadêmica.		

Fonte: UOL



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