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Risco tecnológico
"" Data da Notícia: 05/07/2012 Está aberta a temporada de "caça" a engenheiros. Depois de amargar uma
grande estagnação a partir dos anos 80, o mercado de trabalho passa, nos
últimos anos, por um boom. Apesar de algumas controvérsias, a maioria das
empresas, sindicatos e universidades afirma que não há profissionais
formados suficientes para atender à crescente demanda, que hoje chega a
cerca de 80 mil por ano. Se, por um lado, Isso traz um futuro promissor
para quem quer se aventurar na profissão, por outro acende uma luz de
advertência: o país precisa formar mais engenheiros, e de qualidade, para
que, num futuro próximo, nossos planos de crescimento não sejam afetados.
Isso sem considerar a crescente pressão por trabalho de engenheiros
estrangeiros, alcançados pela crise econômica.
A principal conseqüência de não termos engenheiros no mercado é a perda da
competitividade e da inovação tecnológica, o que pode nos deixar à mercê de
tecnologia estrangeira. Atualmente, a proporção de engenheiros na população
economicamente ativa é baixa em comparação a outros paí-ses: no Brasil, são
seis para cada mil pessoas economicamente ativas. Na América do Sul, esta
relação varia muito, mas tem ficado acima de 8 para cada mil, e em nações
em desenvolvimento, como China, índia, Rússia e África do Sul, a proporção
varia de 12 a 18. Ou seja, os países que competem diretamente conosco têm
de duas a três vezes mais engenheiros. Nos países desenvolvidos, a
proporção é ainda mais elevada.
O cenário tem impulsionado universidades a investir mais na área, e as
empresas do setor têm investido de forma maciça em cursos de
aperfeiçoamento, as chamadas universidades corporativas. O interesse dos
estudantes na última década em cursar engenharia, graças à quantidade de
oportunidades, também aumentou, e isso se reflete nos números de novos
registros do Crea-RJ, que vêm se ampliando a cada ano.
Estas iniciativas, no entanto, apenas amenizam a escassez. Para além do
esforço das instituições de ensino superior em aumentar o número de cursos
e vagas, é preciso combater a evasão na graduação, que pode chegar a mais
de 40%. O abandono, na maioria das vezes, é causado pela grande dificuldade
dos alunos em cumprir as disciplinas dos primeiros anos, que exigem
matemática e física, expondo uma grave deficiência do ensino básico
brasileiro.
Outra medida importante é o incentivo à pesquisa, uma vez que as bolsas de
mestrado e doutorado não são atraentes para quem está sendo disputado pelo
mercado. Com estas ações conjuntas, é possível superar o temido risco do
apagão tecnológico, o que seria uma vergonha no país que tem a sexta maior
economia do mundo.
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