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Os cinco maiores arrependimentos dos
pacientes terminais
"" Data da Notícia: 07/05/2012 Recentemente foi publicado nos Estados Unidos um livro que tem tudo para se
transformar em um best seller daqueles que ajudam muita gente a mudar sua
forma de enxergar a vida. The top five regrets of the dying (algo como “Os
cinco principais arrependimentos de pacientes terminais”) foi escrito por
Bonnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da
morte. Para analisar a publicação, convidamos a Dra. Ana Cláudia Arantes –
geriatra e especialista em cuidados paliativos do Einstein – que comentou,
de acordo com a sua experiência no hospital, cada um dos arrependimentos
levantados pela enfermeira americana. Confira abaixo.
1. Eu gostaria de ter tido coragem de viver uma vida fiel a mim mesmo, e
não a vida que os outros esperavam de mim
“À medida que a pessoa se dá conta das limitações e da progressão da
doença, esse sentimento provoca uma necessidade de rever os caminhos
escolhidos para a sua vida, agora reavaliados com o filtro da consciência
da morte mais próxima”, explica Dra. Ana Cláudia. “É um sentimento muito
frequente nessa fase. É como se, agora, pudessem entender que fizeram
escolhas pelas outras pessoas e não por si mesmas. Na verdade, é uma
atitude comum durante a vida. No geral, acabamos fazendo isso porque
queremos ser amados e aceitos. O problema é quando deixamos de fazer as
nossas próprias escolhas”, explica a médica. “Muitas pessoas reclamam de
que trabalharam a vida toda e que não viveram tudo o que gostariam de ter
vivido, adiando para quando tiverem mais tempo depois de se aposentarem.
Depois, quando envelhecem, reclamam que é quando chegam também as doenças e
as dificuldades”, conta.
2. Eu gostaria de não ter trabalhado tanto
“Não é uma sensação que acontece somente com os doentes. É um dilema da
vida moderna. Todo mundo reclama disso”, diz a geriatra. “Mas o mais grave
é quando se trabalha em algo que não se gosta. Quando a pessoa ganha
dinheiro, mas é infeliz no dia a dia, sacrifica o que não volta mais: o
tempo”, afirma. “Este sentimento fica mais grave no fim da vida porque as
pessoas sentem que não têm mais esse tempo, por exemplo, pra pedir demissão
e recomeçar”.
3. Eu gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos
“Quando estão próximas da morte, as pessoas tendem a ficar mais
verdadeiras. Caem as máscaras de medo e de vergonha e a vontade de agradar.
O que importa, nesta fase, é a sinceridade”, conta. “À medida que uma
doença vai avançando, não é raro escutar que a pessoa fica mais carinhosa,
mais doce. A doença tira a sombra da defesa, da proteção de si mesmo, da
vingança. No fim, as pessoas percebem que essas coisas nem sempre foram
necessárias”. “A maior parte das pessoas não quer ser esquecida, quer ser
lembrada por coisas boas. Nesses momentos finais querem dizer que amam, que
gostam, querem pedir desculpas e, principalmente, querem sentir-se amadas.
Quando se dão conta da falta de tempo, querem dizer coisas boas para as
pessoas”, explica a médica.
4. Eu gostaria de ter mantido contato com meus amigos
“Nem sempre se tem histórias felizes com a própria família, mas com os
amigos, sim. Os amigos são a família escolhida”, acredita a médica. “Ao
lado dos amigos nós até vivemos fases difíceis, mas geralmente em uma
relação de apoio”, explica. “Não há nada de errado em ter uma família que
não é legal. Quase todo mundo tem algum problema na família. Muitas vezes
existe muita culpa nessa relação. Por isso, quando se tem pouco tempo de
vida, muitas vezes o paciente quer preencher a cabeça e o tempo com coisas
significativas e especiais, como os momentos com os amigos”. “Dependendo da
doença, existe grande mudança da aparência corporal. Muitos não querem
receber visitas e demonstrar fraquezas e fragilidades. Nesse momento,
precisam sentir que não vão ser julgados e essa sensação remete aos
amigos”, afirma.
5. Eu gostaria de ter me deixado ser mais feliz
“Esse arrependimento é uma consequência das outras escolhas. É um resumo
dos outros para alguém que abriu mão da própria felicidade”. “Não é uma
questão de ser egoísta, mas é importante para as pessoas ter um compromisso
com a realização do que elas são e do que elas podem ser. Precisam
descobrir do que são capazes, o seu papel no mundo e nas relações. A pessoa
realizada se faz feliz e faz as pessoas que estão ao seu lado felizes
também”, explica. “A minha experiência mostra que esse arrependimento é
muito mais dolorido entre as pessoas que tiveram chance de mudar alguma
coisa. As pessoas que não tiveram tantos recursos disponíveis durante a
vida e que precisaram lutar muito para viver, com pouca escolha, por
exemplo, muitas vezes se desligam achando-se mais completas, mais em paz
por terem realmente feito o melhor que podiam fazer. Para quem teve
oportunidade de fazer diferente e não fez, geralmente é bem mais sofrido do
ponto de vista existencial”, alerta.
Dica da especialista
“O que fica bastante claro quando vejo histórias como essas é que as
pessoas devem refletir sobre suas escolhas enquanto têm vida e tempo para
fazê-las”. “Minha dica é a seguinte: se você pensa que, no futuro, pode se
arrepender do que está fazendo agora, talvez não deva fazer. Faça o caminho
que te entregue paz no fim. Para que no fim da vida, você possa dizer
feliz: eu faria tudo de novo, exatamente do mesmo jeito”. De acordo com
Dra. Ana Cláudia, livros como este podem ajudar as pessoas a refletirem
melhor sobre suas escolhas e o modo como se relacionam com o mundo e
consigo mesmas, se permitindo viver de uma forma melhor. “Ele nos mostra
que as coisas importantes para nós devem ser feitas enquanto temos tempo”,
conclui a médica.
Publicado em janeiro/2012.
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