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Quer ficar rico? Deixe o dinheiro
trabalhar para você
"Autor best-seller, o guru das finanças português, Pedro Queiroga Carrilho, dá dicas para que você fique mais próximo deste sonho." Data da Notícia: 21/09/2011 Pedro Carrilho: Um trabalhador que ganha R$ 100 mil não trabalha dez vezes
mais do que alguém que recebe R$ 10 mil
Quem quer se tornar um milionário? Pedro Queiroga Carrilho, assim como
outros tantos, queria. Aos 28 anos, hoje um autor best-seller e um dos mais
importantes escritores de finanças pessoais de Portugal, com três livros
publicados, e muitas horas dedicadas ao estudo da ciência de como ganhar
dinheiro, ele conseguiu. Mas este é um daqueles casos em que o caminho
percorrido é mais importante do que a chegada. Afinal, como VOCÊ pode fazer
para chegar ao SEU primeiro milhão?
Pois seja curioso. Para Carrilho, tudo começou ainda na adolescência,
quando aos 15 anos, ele teve seu primeiro contato com o mundo das finanças,
ao ler Pai Pobre, Pai Rico, do americano Robert Kiyosaki, um dos grandes
ícones mundiais da área. “O livro mudou a maneira como eu via muitas
coisas. Desde então, comecei a investir e a ler tudo o que havia sobre
finanças e investimentos”, diz o português. Uma coisa levou a outra, que
levou a outra, e, em 2007, aos 24 anos, Carrilho lançou seu primeiro livro,
O Seu Primeiro Milhão. Foi um sucesso. “Ainda não havia livros e cursos de
educação financeira em Portugal. Foi o primeiro livro do gênero no país”.
Aparentemente, as pessoas gostam de descobrir maneiras de enriquecer.
Depois de O Seu Primeiro Milhão, Carrilho escreveu ainda O Primeiro Milhão
para Casais e Descubra o Milionário que Há em Si. Com seu objetivo
alcançado, o português tenta agora ganhar a vida ensinando os outros a
chegar onde está. “As informações certas podem levar a decisões que rendam
mais dinheiro e qualidade de vida. A educação financeira ainda é pouco
falada. As pessoas trazem para sua vida o que aprenderam com os pais. Se
tiveram bons ensinamentos, trazem bons ensinamentos, se tiveram maus,
trazem maus”.
Carrilho será uma das estrelas da 9ª edição paulistana da Expo Money. Maior
evento de educação financeira do Brasil, ele ocorrerá entre os dias 22 e 24
de setembro no Transamérica Expo Center. Na capital paulista, o engenheiro
de formação tentará colocar sua plateia um pouco mais perto do sonho dos
seis dígitos na conta bancária. Não que seja fácil. “Costumo dividir as
finanças pessoais em finanças e pessoas. A parte de finanças é muito fácil.
É matemática para jovens. Já a parte das pessoas, com seus hábitos,
características e objetivos diferentes, é outra história”. Curioso?
Descubra na entrevista abaixo alguns dos segredos de Carrilho.
O senhor acha que qualquer pessoa pode se tornar um milionário?
Sendo realista, não. Mas não é disso que se trata. O que interessa é termos
dinheiro suficiente para fazer o que gostamos. O que eu noto é que as
pessoas gastam muito dinheiro em coisas que não gostam. Eu, por exemplo,
gosto muito de jantar fora. Eu não preciso de um ótimo carro, posso ir
jantar fora a pé. Todos nós temos que ter dinheiro para o que gostamos,
portanto, não se trata de R$ 1 milhão ou R$ 10 milhões. Honestamente, para
o nível de vida que o Brasil tem R$ 1 milhão não é mais tanto dinheiro. O
Brasil já é o 11° país do mundo em número de milionários, está muito à
frente de Portugal.
Mais do que R$ 1 milhão, o que as pessoas sonham mesmo é ter independência
financeira, não?
Independência financeira é diferente de R$ 1 milhão. Uma pessoa que tem seu
milhão, mas possui despesas muitas altas, nunca vai ter independência
financeira. Portanto, o truque é ter as despesas controladas e fazer o
dinheiro trabalhar para você. Eu adoro o conceito de colocar o dinheiro
para trabalhar. Isso é difícil quando uma pessoa tem 20 anos e não tem
dinheiro. Aos 30 é mais fácil, aos 40 é mais ainda. O Brasil está com taxas
de juros muito interessantes e com uma inflação controlada, portanto, é
possível ganhar um bom dinheiro com renda fixa e também na Bovespa, com as
empresas brasileiras que estão crescendo a cada ano.
Como fazer então para ganhar dinheiro enquanto ‘se dorme’ e viver de renda?
Primeiro, é preciso ter bastante dinheiro. Se uma pessoa tem R$ 10 mil, ela
não vai conseguir viver de seus rendimentos. R$ 10 mil, a uma taxa de 10%
ao ano, rendem R$ 1 mil. Já R$ 1 milhão rende R$ 100 mil por ano, o que já
é suficiente para algumas pessoas. A primeira coisa então é poupar.
A poupança é o primeiro passo para alguém ficar rico, mas, não, ela não
garante o sucesso financeiro.
Mas poupar é suficiente para alguém se tornar milionário?
Não mesmo. É preciso encontrar formas de ganhar mais dinheiro. Um
trabalhador que ganha R$ 100 mil não trabalha dez vezes mais do que alguém
que recebe R$ 10 mil. Eles fazem alguma coisas diferentes. A maior parte
das pessoas que ganham mais dinheiro são profissionais independentes ou
empresários, são pessoas que conseguiram diversificar seus rendimentos. Eu
posso te dar o meu exemplo. Eu tenho minha própria empresa, não sou
assalariado. Mas isso também não basta. Eu invisto no ramo imobiliário, que
tem bons rendimentos, escrevo livros, crio cursos etc. Quanto mais fontes
de rendimento tivermos, é mais fácil ganhar dinheiro. Enquanto estou
falando com você, posso estar ganhando dinheiro com a venda de meus livros
ou o subir das minhas ações.
E quem não quer abrir uma empresa própria, o que o senhor aconselha para
aumentar sua renda?
Eu, enquanto não tinha minha empresa e queria ganhar mais dinheiro,
arranjava dois empregos e trabalhava muitas horas por dia. Cheguei a
trabalhar 14, 15 horas. Mas as pessoas não agüentam este ritmo por muito
tempo. Então, qual é o segredo? Um assalariado deve procurar fazer
investimentos que rentabilizem seu dinheiro. O dinheiro tem uma
característica fantástica. Albert Einstein chamou os juros compostos de a
oitava maravilha do mundo. O dinheiro quando é poupado e reinvestido se
multiplica. Cresce, não de forma linear, mas de forma geométrica. É por
isso que a pessoa deve trabalhar para ganhar o dinheiro e investi-lo.
Quando estava na escola, eu estudava muito de investimentos e não investia.
Mas eu sabia que tudo o que eu estava aprendendo sobre a bolsa e o mercado
de derivativos iria me ajudar muito. Por isso, eu recomendo que todas as
pessoas invistam 30 minutinhos por dia para aprender um pouco sobre
investimentos. Vai ajudar a multiplicar o dinheiro que tão arduamente é
conseguido com o trabalho.
E como as pessoas podem se preparar para multiplicar suas economias?
Infelizmente, nós não podemos ir à maioria dos bancos e perguntar. Muitas
vezes as pessoas não têm esse conhecimento e querem vender determinados
produtos para bater metas. Uma alternativa é ler muitos livros e fazer
cursos, como o de análise técnica de mercados financeiros. Infelizmente,
ninguém se preocupa mais com nosso dinheiro do que nós mesmos. Portanto,
devemos aprender o mínimo. Manter-se atualizado no noticiário é muito
importante para conhecer a cultura financeira, mas se você me perguntar se
eu faço investimentos com base nas notícias, eu evito. Eu conheço
indicadores técnicos, conheço o calendário econômico e aprofundo meus
conhecimentos em determinados setores para fazer os meus investimentos. Não
é porque está dito no jornal para comprar a ação de determinada empresa que
eu irei comprá-la.
Qual a maior dificuldade para se tornar milionário?
A primeira coisa que uma pessoa precisa se perguntar é por que um milhão?
Ela precisa saber quais são seus objetivos, o que quer. Se o objetivo é só
ter tranqüilidade, você pode precisar de menos. Dito isto, a maior
dificuldade é a pessoa sonhar e trabalhar para o que quer. No Brasil, com a
baixa taxa de desemprego atual, juros interessantes, toda economia está
vibrando, é possível ganhar dinheiro e viver bem. Uma pessoa que sabe o que
gosta e sabe o que quer, corta o que não precisa e se concentra para
aumentar seus rendimentos. O dinheiro vem como conseqüência, quando as
pessoas fazem o que gostam.
Quais são as características que o senhor identifica como comuns aos
milionários?
Os milionários têm pouquíssimas dívidas e sabem gerir muito bem o seu
dinheiro. Têm pessoas que conseguem otimizar muito bem seu tempo e
dinheiro. Elas não pensam em quanto uma coisa custa, mas sim em quanto
aquela coisa pode render. Pensam em retorno. Se uma pessoa quer ganhar R$
100 por hora, ela tem que se desenvolver e trabalhar em áreas que lhe
permitam fazer isso. Se um indivíduo está perdendo tempo assistindo a
filmes na televisão ou jogando no computador, ele não está rentabilizando
seu tempo. Uma outra coisa que eu percebo é que as pessoas muito ricas
adoram aquilo que fazem, têm muita paixão.
Quais milionários o senhor admira?
Admiro muito e acompanho o trabalho de Robert Kiyosaki [guru das finanças,
autor do bestseller Pai Rico, Pai Pobre], que tive o prazer de encontrar
algumas vezes. Gosto muito do Richard Branson [dono da Virgin], ele é
fantástico, inspirou-me muito. Há muitas pessoas com as quais podemos
aprender. Precisamos ter mentores. Eu sempre defendo que as pessoas peguem
o telefone e tentem conhecer esses mentores. Os indivíduos são muito
acessíveis quando vêem que há vontade de trabalhar e seriedade. Muitos
milionários têm fama de avarentos. Outros gostam de esbanjar. Quem tem
muito dinheiro deve mesmo gastar?
Eles devem gastar, sim. Quando as pessoas poupam mais, o comércio e as
empresas demitem mais. Uma pessoa que tem condições de gastar deve fazê-lo
para ajudar a sociedade como um todo. Deve promover a economia. O dinheiro
é um meio para outros fins.
O senhor acha que as pessoas de maneira geral estão bem educadas
financeiramente?
Apesar de alguns planos nacionais de educação financeira estarem sendo
colocados em prática, acho que não. Seja no Brasil ou em Portugal, os
níveis de pobreza ainda são muito elevados. A classe média no Brasil tem
aumentado muito, mas os brasileiros têm pouco dinheiro poupado. Quando se
pergunta a uma pessoa quanto tempo ela poderia arcar com seus gastos
mensais sem trabalhar, aqui em Portugal algumas dizem um mês, dois meses. É
pouco. A maioria precisaria ter mais segurança financeira. O ideal num país
como o Brasil, onde a economia está crescendo, seria entre ter entre três e
seis meses de despesas mensais poupadas.
Qual o percentual ideal dos rendimentos que deve ser poupado por mês?
Se você trabalha oito horas por dia, você deveria poupar uma hora de seu
dia, que dá por volta de uma poupança de 12,5% por mês. Uma poupança mínima
é de uns 10%, 12%. O que sei é que as pessoas mais bem sucedidas
financeiramente poupam muito mais do que isso, algo em torno de 20% a 25%
de seus rendimentos. Para um jovem que já trabalha e vive na casa dos pais,
não há razão para não poupar 50% dos seus rendimentos. Uma pessoa que
trabalha e tem despesas com a casa, alimentação e transportes deve fazer
uma poupança de 10% idealmente.
Você recomenda o investimento em bolsa para qualquer pessoa?
Qualquer pessoa deve investir sempre em função do tempo e dos recursos que
têm. Quem não tem tempo para estudar e não entende de bolsa, não deve
investir nela, porque irá perder seu dinheiro. Há um tempo atrás eu
conseguia fica uma hora por dia investindo. Agora, só consigo estudar meus
investimentos no final de semana. Ora, a pessoa tem que adaptar seus
investimentos a seu tipo de vida. A bolsa é dos títulos que mais dá
dinheiro no longo prazo. Se você analisar o rendimento da bolsa americana
no longo prazo, por exemplo, ele dá um retorno de 12% ao ano. São taxas
interessantes, mas não é para qualquer pessoa. Se um investidor tem medo de
perder 50% de seu capital, não entende nada de análise técnica e
fundamental e investe somente com base em dicas, ele não deve investir em
bolsa. Deve ficar em renda fixa. Porém, se tiver disposição para aprender e
se dedicar à bolsa, vale a pena, porque ganha-se muito dinheiro com ela.
Como dividir seus investimentos entre renda fixa e variável?
Depende do perfil da pessoa. Um perfil mais conservador deve ter uma grande
porcentagem de sua carteira em renda fixa, em títulos da dívida e em
obrigações de empresas, e deve evitar a bolsa, derivativos e
matérias-primas. Quem tem perfil conservador pode investir de 20% a 30% em
bolsa, mas deve comprar papéis mais seguros, de grandes empresas. Uma
pessoa com perfil mais arriscado deve partir para matérias-primas, o ouro
está batendo recordes todos os dias. Ela deve procurar matérias-primas e
ações de pequenas empresas. Eu, por exemplo, tenho um perfil bastante
diversificado. Gosto de ter renda fixa. Neste momento, não estou fazendo
muitos investimentos na Europa. Tenho algumas empresas americanas e algumas
brasileiras no meu portfólio e aloco hoje só 20% de meu dinheiro em ações,
porque acho que está havendo uma correção dos mercados. Também gosto muito
de fundos de investimento. Invisto bastante em matérias-primas através
deles. Tem dado certo. Nos últimos anos, tenho duplicado os meus
rendimentos. Esse é o meu perfil, cada pessoa deve encontrar o seu.
Quais são os principais erros que levam as pessoas a enrascadas
financeiras?
Primeiro, é não ter essa conta poupança para emergências. O segundo é uma
má gestão do crédito e das dívidas. Ninguém gosta de se endividar, mas, às
vezes, por falta de planejamento ou por um imprevisto, acaba acontecendo.
As situações mais comuns que levam a isso são o divórcio, doenças e
desemprego. Uma gestão saudável do crédito é muito importante. Terceira
coisa, tal como uma empresa monitora seu orçamento, nós também precisamos
fazer o mesmo, controlando tanto as nossas despesas como os nossos
rendimentos. Isso é uma coisa muito simples de fazer, que não leva muito
tempo e ajuda imensamente a dar mais qualidade de vida. Se uma pessoa
estiver focada em seu dinheiro e em como multiplicá-lo, irá fazê-lo sem
esforço e com mais qualidade de vida, que é o que interessa.
Você percebe alguma mudança no comportamento dos portugueses com a crise
econômica?
As pessoas estão mais assustadas. Elas ficam mais sensíveis aos temas de
finanças. E isso é importante. Mas estresse e o medo nunca são um bom
sinal. As pessoas ficam menos criativas, fazem mais disparates e não ajudam
ninguém. É preciso estar tranqüilo e continuar vivendo a vida normalmente.
Você nota alguma diferença no comportamento financeiro de brasileiros e
portugueses?
Os brasileiros que viviam em Portugal costumavam gastar muito rápido seu
dinheiro, talvez pelas lembranças que tinham do período de forte inflação.
Eles traziam as práticas dessa época. De maneira geral, os brasileiros são
mais descontraídos e procuram informa-se mais das situações financeiras.
Porém, há muitas semelhanças. Portugueses e brasileiros preferem produtos
de renda fixa e têm perfil pouco propenso ao risco, ao contrário dos EUA,
onde a maioria das pessoas coloca suas economias na bolsa.
A última pergunta e, talvez, a mais importante. O senhor acha que dinheiro
traz felicidade?
Ajuda. É muito simples de ver. Os países que têm um PIB maior, muitas vezes
têm índices mais altos de felicidade. Uma pessoa que ganhe R$ 2 mil por mês
é tipicamente mais infeliz do que uma que ganhe R$ 10 mil. Agora, uma que
ganhe R$ 20 mil não é necessariamente mais feliz do que uma que ganhe R$ 10
mil. Há muitos estudos sobre isso. Quando o dinheiro tira as pessoas da
pobreza ou lhe traz mais qualidade de vida, ele traz, sim, felicidade.
Quando a pessoa já tem dinheiro para viver tranquilamente, não é o dinheiro
que traz felicidade. Pode, na verdade, atrapalhar, não é mesmo?
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