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Ser popular é melhor do que estudar?
"O que importa é fazer, acontecer e aparecer a qualquer custo; ter êxito na vida é ganhar muito dinheiro." Data da Notícia: 14/09/2011 UMA MÃE estranhou a queda no rendimento escolar do seu filho, um jovem de
15 anos que começou a cursar o ensino médio neste ano.
Até aqui, ele sempre havia levado a escola muito bem: faltava pouco, suas
notas eram suficientes para não ficar retido e também dava conta das
tarefas que precisava fazer em casa.
Neste ano, a coisa ficou feia: o garoto perde a hora regularmente, suas
notas estão bem baixas, apontando risco de repetição, e, ainda por cima, a
mãe passou a receber recados da escola de que o filho não tem feito as
lições dadas e tem arrumado encrencas com os professores.
Ela decidiu conversar com o jovem, porque nunca exigiu que ele fosse um
aluno nota 10, mas também não deseja que ele abandone os estudos, pelo
menos até terminar a escolaridade básica.
Você pode imaginar que essa conversa não foi nada fácil, não é?
Mas a mãe ficou espantada mesmo com o argumento principal usado pelo filho
para justificar suas atitudes em relação à escola. "Não quero ser um nerd,
mãe!", foi o que ele repetiu com veemência.
Nossa leitora quis saber o motivo do receio do filho de ser assim
identificado e recebeu a resposta de que nenhum "nerd" era popular na
escola. Ao contrário, esses alunos costumavam ser alvo de gracinhas dos
colegas.
Essa mãe argumentou de todos os modos com o filho: deu exemplos de
intelectuais reconhecidos mundialmente, falou de pessoas talentosas que são
célebres por terem expressado seu talento etc.
Não adiantou nada. O filho ficou irredutível e até aceitou se esforçar para
pelo menos passar de ano, mas garantiu que tirar notas boas não queria de
modo algum, tampouco agir de modo a ser considerado um aluno "bonzinho".
Nessa idade, eles querem ser populares e admirados pelos seus pares.
Na chamada sociedade do espetáculo, precisam ter grande visibilidade no
grupo que frequentam, o equivalente a ser considerado um famoso em nossa
sociedade.
Vale a pena, então, refletirmos a respeito de como esses jovens querem
alcançar isso. E, para tanto, vou citar dois exemplos.
O primeiro, descobri por indicação de um conhecido: o "Man versus Food",
programa em um canal a cabo mostrando sempre um homem que tenta comer uma
refeição enorme inteira. Vi dois episódios e considerei o suficiente.
Assistir a um jovem enfrentando quilos de comida, em geral gordurosa e
apimentada, passando mal e colocando a saúde em risco para ganhar
notoriedade provoca no espectador enjoo e mal-estar. Mas é assim que o
protagonista do programa ganha notoriedade na vida.
O segundo exemplo é de conhecimento de muitos: uma peça publicitária que,
para enaltecer as qualidades de um carro, compara dois atores, um
considerado um grande ator e o outro, um ator grande. Nesse comercial, é um
brasileiro que se presta a ocupar o lugar de ator grande (com atuação
considerada muito ruim em sua profissão). Foi dessa maneira que ele saiu do
ostracismo e voltou a ser "famoso".
Muitos jovens enalteceram a coragem do moço, sua beleza e o dinheiro que
ele ganhou para fazer parte dessa campanha. E então?
Temos passado essas lições aos jovens: ser corajoso é ser brigão, ser capaz
de colocar a saúde e a vida em risco; o que importa é fazer, acontecer e
aparecer a qualquer custo; ter êxito na vida é ganhar muito dinheiro, não
importa como. Essas lições convivem com os mais novos diariamente, e os
convencem.
As famílias e as escolas que valorizam virtudes como a ética, o respeito
pela vida, o trabalho que beneficia a sociedade e a justiça, entre tantas
outras questões importantes, parecem estar em grande desvantagem.
Não estão. As pessoas que os jovens mais admiram são seus pais e
professores. Por isso, não podemos desistir desse trabalho de formiguinha,
mesmo que isso signifique remar contra a maré.
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