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O novo envelhecimento
"" Data da Notícia: 04/05/2011 “A expectativa de vida é cada vez mais longa e as pessoas serão idosas por
um período cada vez maior de suas vidas. Elas terão condições de produzir
até uma idade bem mais avançada. Por outro lado, a pessoa não pode mais
parar de adquirir conhecimento aos 25 anos de idade, pois o aprendizado
fica obsoleto cada vez mais cedo”, disse Alexandre Kalache. Se a produção e
o trabalho serão uma realidade cada vez mais presente na velhice, em
contrapartida a aquisição de conhecimento não poderá mais ficar confinada
apenas às primeiras décadas. “É do interesse da sociedade que a pessoa
mantenha o aprendizado e que produza ao longo de toda a vida. As pessoas
terão oportunidades – que a sociedade vai precisar oferecer – para se
reciclar, estudar e se reavaliar”, afirmou.
De acordo com Kalache, a capacidade funcional dos indivíduos será
preservada, cada vez mais, para além dos 65 anos. Com isso, espera-se que a
aposentadoria compulsória possa ser revista. “Isso é saudável, porque o
passado idealizado do idílio do pijama e do tricô é algo que talvez nunca
tenha existido. Na maior parte dos casos, sob esse estereótipo se escondia
um idoso sem autonomia, sofrendo abusos e deprimido”, disse. O
envelhecimento e a urbanização, segundo Kalache, são as duas principais
tendências demográficas do século 21. O Brasil, segundo ele, é um modelo
adequado para se observar essa realidade. “Somos um país emergente já
urbanizado, que envelhecerá mais do que qualquer outro. Mas temos que fazer
nossa própria discussão sobre o envelhecimento. Os modelos do Japão, da
Dinamarca ou da França não nos interessam. Esses países enriqueceram
primeiro, depois envelheceram. Não teremos essa oportunidade. Se imitarmos
esses modelos, vamos apenas perpetuar a desigualdade”, disse. No Brasil,
segundo Kalache, a população de mais de 60 anos passou de 8% para 12% nos
últimos 30 anos. Na França, foram necessários 115 anos para que a proporção
de idosos passasse de 7% para 14%.
“Por outro lado, a concentração urbana também foi vertiginosa no Brasil. Um
terço da população vivia em cidades em 1945 e hoje essa proporção passou
para 87%. Vamos precisar mudar a realidade do idoso no contexto urbano – e
para isso é fundamental ouvi-lo e fazê-lo contar como é a experiência de
ser idoso na cidade”, afirmou.
Kalache foi responsável pela publicação, em 2007, do Guia da OMS das
Cidades Amigas dos Idosos, produzido com base em pesquisas em 35 cidades em
todo o mundo, fundamentadas em entrevistas com grupos focais de idosos
durante seis meses. Uma das experiências do programa foi feita no bairro de
Copacabana, no Rio de Janeiro, onde Kalache nasceu. Em 33 anos na Europa, o
pesquisador fundou o Departamento de Epidemiologia do Envelhecimento da
Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido. Hoje,
trabalha na criação de um Centro Internacional de Políticas para o
Envelhecimento.
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Para contribuir com a necessidade de aprendizado contínuo, face a este novo
envelhecimento, a Unilins está com matrículas abertas para o curso de
especialização em Gerontogeriatria, na modalidade semi-presencial.
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