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Setor aeroespacial busca engenheiros
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Data da Notícia: 26/04/2011


O mercado de defesa está crescendo no Brasil e, com ele, a necessidade de
uma mão de obra especializada em novas tecnologias para atuar na indústria
aeroespacial. Esse tipo de profissional, no entanto, ainda é escasso no
país.

Empresas como a Embraer e a Helibras, envolvidas em programas complexos de
desenvolvimento de aeronaves, helicópteros e sistemas de segurança e defesa
estão sendo obrigadas a se mobilizar e a investir mais na formação de
talentos e na especialização dos funcionários.

Iniciado em 2001, o Programa de Especialização em Engenharia (PEE) da
Embraer, por exemplo, já formou mais de mil profissionais. Depois de
reduzir suas atividades em 2009 por conta da crise, ele está sendo ampliado
agora com a formação de novas turmas no Instituto Tecnológico de
Aeronáutica (ITA), parceiro no desenvolvimento do curso.

Segundo a Embraer, o investimento no programa aumentou consideravelmente,
passando de R$ 2,8 milhões em 2010 para R$ 6,7 milhões este ano, valor que
deverá ser mantido em 2012. Em fevereiro, foi iniciada uma turma com 57
engenheiros recém-formados e, em agosto, haverá a seleção de mais 60 alunos
- a média por ano deve ser de 100.

Para Diogo Jundi Toyoda, que foi aluno do PEE e hoje trabalha como
engenheiro de desenvolvimento de produto da Embraer, o programa
proporcionou uma visão bastante ampla da aeronáutica. Atualmente, isso o
ajuda a entender melhor os desafios da sua área e a oferecer soluções mais
eficientes para a empresa.

Na Helibras, a produção de 50 helicópteros EC-725 no Brasil- um contrato de
€ 1,847 bilhão-, envolve um processo gradual de transferência de
tecnologia, que exigirá a contratação de mais 500 empregados até 2012, o
dobro do número atual. Segundo o presidente da Eurocopter, Lutz Bertling, a
contratação de mão de obra qualificada será fundamental para dar suporte ao
crescimento da produção de aeronaves para o mercado civil e para cumprir os
contratos com o Ministério da Defesa.

Essa será a primeira vez que a Eurocopter implementará uma linha de
montagem de um helicóptero tão sofisticado fora da França ou da Alemanha.

A área de engenharia da Helibras assumiu a responsabilidade de montar a
nova equipe. "A Eurocopter está firmando convênios envolvendo a Helibras, a
Universidade Federal de Itajubá (Unifei) e uma universidade francesa para a
troca de conhecimentos e treinamento", diz Richard Marelli, diretor do
programa EC-725 no Brasil.

Uma das principais referências no Brasil na formação de engenheiros
aeronáuticos, o ITA também tem sido solicitado pelas empresas para ampliar
a oferta de cursos. Segundo o reitor da instituição, brigadeiro Reginaldo
dos Santos, o instituto quer lançar uma nova pós-graduação em engenharia
aeroespacial. O programa, que irá integrar vários grupos de pesquisa do
DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial), está sendo
avaliado pela Capes e a expectativa é de que ele seja aprovado este ano.

Em 2010, o ITA lançou o curso de graduação em engenharia aeroespacial,
oferecendo 10 vagas para o vestibular realizado no final de 2010. O novo
curso, segundo o reitor, foi um pedido não só da indústria, mas dos
institutos de pesquisa como o Inpe e o DCTA, que ao longo dos últimos anos
vêm perdendo cientistas por conta de aposentadorias e da transferência para
a iniciativa privada. A Vale Soluções em Energia (VSE), do grupo Vale,
também renovou o seu contrato com o ITA para a realização de mais um
mestrado profissionalizante na área de turbinas a gás.

Outro doutorado que começará em breve no ITA é na área de infraestrutura
aeronáutica. Ele vai dar continuidade ao projeto de expansão nos cursos de
graduação. O objetivo é dobrar o número de vagas das atuais 120 para 240
por ano. As obras nas instalações do ITA, segundo Santos, devem começar em
2012 e a previsão é que consumam R$ 60 milhões. "Vamos aumentar as vagas em
20%."

A empresa sueca Saab, que atua nos segmentos de defesa, aviação e segurança
civil, vai inaugurar em maio um centro de pesquisa e desenvolvimento de
alta tecnologia em São Bernardo do Campo (SP). "Estamos negociando várias
cooperações acadêmicas entre as universidades suecas e as indústrias
brasileiras. Além disso, criamos um curso de especialização em engenharia
de defesa no ITA, nos mesmos moldes do PEE da Embraer", diz o
vice-presidente de tecnologia da Saab, Pontus de Laval.

O centro conta com a participação de empresas como a Volvo, Vale, Inventia
e de agências governamentais da Suécia, além de institutos de tecnologia
como o Royal Institute e a Chalmers University.



Celeiro de notáveis para o mercado de trabalho, os engenheiros formados
pelo ITA não são disputados apenas pelas empresas e institutos de pesquisa
do setor aeroespacial e de defesa brasileiros. A partir do quarto ano, os
alunos são bombardeados com oportunidades de estágios em empresas de
consultoria de negócios, principalmente do setor financeiro.

A proposta é sempre tentadora: remuneração acima da média do mercado,
treinamentos constantes no Brasil e no exterior e a possibilidade de apoiar
grandes empresas em suas questões estratégicas. As companhias chegam a
levar os alunos para a apresentação institucional, para o coquetel e também
para as entrevistas.

Aluna do segundo ano de engenharia eletrônica no ITA, Mariana Caldas, de 20
anos, já sabe qual caminho seguir em sua carreira. "Quero atuar em uma
consultoria financeira ou de engenharia. Os salários são melhores, e o
trabalho é dinâmico e desafiador", justifica. Nas próximas férias, ela vai
fazer estágio em uma consultoria de engenharia em sua terra natal,
Fortaleza. "O dono é ex-aluno e o fato de eu estudar no ITA conta a
favor."

João Paulo de Andrade Dantas, por sua vez, está no primeiro ano de
engenharia eletrônica e pretende seguir a carreira militar e trabalhar com
pesquisa no DCTA ou com atividades mais operacionais da Força Aérea
Brasileira (FAB). Dantas, que chegou a cursar a Academia da Força Aérea
(AFA), mas desistiu de ser piloto, pretende fazer estágio fora do Brasil -
a instituição tem convênio com universidades da Alemanha e da França.

Embora tenha escolhido o curso de engenharia aeronáutica, Ricardo Furquim
também prefere trabalhar em uma consultoria financeira ou em um banco de
investimentos depois de se formar. Antes disso, quer passar três anos em
Harvard ou no MIT (Massachusetts Institute of Technology), no qual o ITA se
inspirou ao ser criado.

Para o reitor do ITA, Reginaldo dos Santos, a depressão econômica e a falta
de mercado para engenheiros nas décadas de 1980 e 1990 influenciaram a ida
de muitos ex-alunos para instituições financeiras. "Parte dos grandes
avanços na área de automação bancária se deve à contribuição de
profissionais que estudaram no ITA", garante. (VS) 
		

Fonte: www.cmconsultoria.com.br



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