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Novo envelhecimento
"" Data da Notícia: 25/04/2011 O envelhecimento e a urbanização são tendências demográficas importantes no
século 21. A população urbana, que já corresponde à metade da humanidade,
dobrará até 2050, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU). Por
outro lado, se hoje existem cerca de 600 milhões de pessoas com mais de 60
anos, em 2050 a população nessa faixa etária será de quase 2 bilhões. A
consequência disso é que a sociedade precisará repensar o lugar dos idosos
nas cidades e implantar uma nova cultura do envelhecimento. Essa é uma das
principais conclusões dos especialistas que participaram, no dia 29 de
março, em São Paulo, da mesa-redonda "Aspectos urbanos e habitacionais em
uma sociedade que envelhece". O evento integrou a programação do ciclo
"Idosos no Brasil: Estado da Arte e Desafios", promovido pelo Institutos de
Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), pelo Grupo
Mais-Hospital Premier e pela Oboré Projetos Especiais de Comunicação e
Artes. Coordenada por David Braga Jr., do Grupo Modelo de Atenção Integral
à Saúde (Mais), a mesa-redonda – a terceira do ciclo – teve a participação
de Alexandre Kalache, da Academia de Medicina de Nova York (Estados
Unidos), e de Guita Grin Debert, professora do Departamento de Antropologia
da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
De acordo com Kalache, carioca que dirigiu por 13 anos o Programa Global de
Envelhecimento e Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS), os dados da
ONU mostram que a população mundial crescerá cerca de 50% (para 9 bilhões)
até 2050. No mesmo período, a população acima de 60 anos terá aumentado
350%, sendo que a maior parte desse aumento ocorrerá nos países em
desenvolvimento, cada vez mais urbanizados.
Essa perspectiva de futuro, segundo ele, deverá ser compreendida pela
sociedade, que precisará desenvolver com urgência uma “cultura do
envelhecimento” – o que inclui mudanças nas cidades e no comportamento ao
longo da vida. “É importante destacar que 2050 não é uma data distante. Os
idosos de quem estamos falando são as pessoas que hoje já são adultas, que
podem ter 20 ou 40 anos. Por isso, é fundamental personalizar a mensagem”,
disse à Agência FAPESP. Com os avanços da medicina e da própria sociedade
urbana, a parcela da vida que um indivíduo passa na condição de idoso será
cada vez maior, apontou o especialista. Com essa tendência, já ocorre uma
mudança de paradigmas em relação ao que significa envelhecer. “A ideia da
vovó fazendo tricô e do vovô de pijama, lendo jornal, é um estereótipo do
envelhecimento que não nos serve mais”, disse. Segundo Kalache, quando o
prussiano Otto Von Bismarck implementou pela primeira vez a aposentadoria,
no século 19, a expectativa de vida na Alemanha era de 45 anos e os idosos
tinham muito menos acesso à saúde. Se continuassem trabalhando, teriam
produtividade baixíssima e criariam muitas dificuldades no ambiente de
trabalho.
“Era plausível dar um dinheirinho para que o idoso ficasse em casa pelos
poucos anos que lhe restavam. É óbvio que isso não pode dar certo nas
condições atuais, muito menos nas condições que teremos até 2050. É preciso
que os jovens reinventem seu planejamento de vida”, afirmou. No modelo
convencional, a primeira etapa da vida era dedicada ao aprendizado,
enquanto a segunda etapa era voltada para a produção e a aplicação do
aprendizado no trabalho. A etapa final seria dedicada ao descanso e ao
ócio. “Não podemos mais pensar assim”, afirma Alexandre Kalache.
1/4/2011
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Para contribuir com a mudança que se faz necessária, face a este novo
envelhecimento, a Unilins está com matrículas abertas para o curso de
especialização em Gerontogeriatria, na modalidade semi-presencial.
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