|
Benefícios da prática de esportes depois
dos 50 anos
"Mais idade, mais corrida, mais saúde." Data da Notícia: 10/12/2010 A expectativa de vida vem aumentando e pessoas mais velhas descobrem, cada
vez mais, os benefícios da prática de esportes, principalmente da corrida,
para garantir a qualidade de vida.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os
brasileiros estão vivendo mais. A expectativa de vida é de 68 anos e, em
2020, estima-se que sejam 30 milhões de pessoas com mais de 65 anos, 13% da
população. Esse crescimento traz, junto, a preocupação em manter saúde e
qualidade de vida em qualquer idade. Segundo o Institute for Social and
Economic Research Essex University, os jovens gastam menos tempo com
atividades físicas que os mais idosos. Britânicos entre oito e 19 anos
gastam 25 minutos diários a menos com exercícios em relação aos com mais de
65 anos, e enquanto apenas 12% dos mais velhos são inativos, 22% dos jovens
entre oito e 35 anos não fazem mais do que dez minutos de exercício por
dia. “A atividade física não reverte o envelhecimento, mas o desacelera”,
diz Rosemary Rauchbach, mestre em atividades físicas pela UFSC
(Universidade Federal de Santa Catarina) e gerontóloga pela Sociedade
Brasileira de Geriatria.
Com o tempo, as mudanças
Com os anos, uma série de alterações fisiológicas modificam o funcionamento
do corpo. A principal é a perda da força muscular, que primeiro se dá na
perna (quadríceps). Além das perdas estruturais, de tamanho e diâmetro de
fibras, os músculos perdem conexão com o sistema nervoso e vascular,
deixando-os inativos. Com os músculos, perde-se também a capacidade aeróbia
(uma caminhada, por exemplo, torna-se anaeróbia, sem metabolismo de
oxigênio, e é preciso parar para descansar várias vezes). Importante para o
funcionamento muscular, o tecido conjuntivo também sofre. “Tudo que é
formado por ele [cartilagens e tendões] perde elasticidade, fica mais
rígido e menos fluído, dificultando o suporte de impactos”, explica
Rosemary. Lucas Samuel Tessutti, mestre em biologia funcional e molecular
pela Unicamp (Universidade de Campinas) e doutorando do LABEX (Laboratório
de Bioquímica do Exercício) na mesma universidade diz que, com a idade,
diminui a capacidade neuromuscular, cardiovascular e endócrina. Nas
mulheres, a redução da produção de estrógeno com a menor produção dos
hormônios LH (luteinizante) e folículo-estimulante (FSH) ainda traz outros
problemas. “Aos 48 anos, tinha osteoporose avançada e a recomendação de
caminhar. Os resultados eram lentos e decidi acelerar os passos e correr.
Curei a doença e guardo com carinho o último exame. A corrida me trouxe
saúde, amigos e admiração”, diz Luzia. Uma pessoa com 50 anos ou mais que
começa um programa de atividade física recebe os mesmos benefícios que uma
pessoa mais jovem:
Cérebro – aumenta a circulação sanguínea, favorecendo as sinapses e
evitando a perda de memória.
Músculo – reduz a perda natural de massa magra, que pode chegar a 25% a
partir dos 30 anos.
Pulmão – aumenta a capacidade respiratória.
Coração – a corrida aumenta a cavidade do coração. Com isso, aumenta a
capacidade de bombeamento, diminui a frequência cardíaca e normaliza a
pressão arterial.
Pele – a liberação de endorfina resulta em melhorias do sistema imunológico
da pele, diminuindo a incidência de micoses e viroses cutâneas.
Barriga – evita o aumento do tecido gorduroso abdominal, que pode chegar a
35% na mulher e 30% no homem.
Hormônios – melhora do equilíbrio hormonal (a tendência com o sedentarismo
é o declínio total do estrógeno na mulher e declínio variável da
testosterona no homem).
Comece já!
Segundo levantamento realizado pelo Datafolha, o sedentarismo, associado a
uma dieta inadequada, é o principal fator de risco para doenças
cardiovasculares, que matam 300 mil pessoas por ano no país. Para Sérgio
Perez, doutor em Ciências pela USP (Universidade de São Paulo) e membro do
laboratório de fisiologia do exercício da UFSCAR (Universidade
Federal de São Carlos), parte das doenças crônico-degenerativas (como
diabetes tipo 2, obesidade, hipertensão arterial e artrose) estão
relacionadas aos prejuízos circulatórios. Pesquisadores da Universidade do
Sul da Califórnia e da Universidade Estadual da Califórnia acompanharam 91
corredores entre 50 e 60 anos para analisar se a corrida influenciava a
redução de fatores de risco para contrair doenças cardiovasculares. A
conclusão é que, durante o treinamento, os valores de pressão arterial,
colesterol, triglicérides e glicose sanguínea são inferiores (e superiores
para os níveis de HDL, o bom colesterol) em comparação aos valores de
indivíduos sedentários da mesma idade.
Por isso, não importa a idade, é hora de calçar o tênis e correr. Prova
disto é que recentemente o canadense Ed Whitlock, aos 73 anos, fez
2h54min48s em uma maratona, tornando-se o primeiro homem com mais de 70
anos a finalizar os 42 km em menos de três horas. Matéria da revista
Sports Medicine mostrou os resultados de uma pesquisa realizada com atletas
de alto nível depois que deixaram as pistas, e verificou que a perda
da capacidade cardiovascular (consumo máximo de oxigênio – VO2 Máx) é maior
para os que pararam de treinar.
A cada década o declínio da capacidade cardiovascular é de 0,5% para
indivíduos treinados, 1% para indivíduos moderadamente treinados e 1,5%
para indivíduos não-treinados. Ou seja, a perda cardiovascular é três vezes
maior para aqueles que se tornaram sedentários.
“A capacidade oxidativa (aumento do tamanho e no número de mitocôndrias –
produtoras de energia, aumento do tamanho e da quantidade de capilares
sanguíneos e do número de fibras lentas) tende a ser menor com o
envelhecimento, mas permanece mais alta após um período de treinamento”,
explica Tessuti. Além da saúde, a corrida traz ainda o benefício estético.
“O envelhecimento da pele é causado pela diminuição da produção do
colágeno”, explica Christiana Moron, mestre em dermatologia pela USP,
membro da Academia Americana de Dermatologia e do Instituto Vita. Mas a
atividade física regular e de intensidade moderada ativa a circulação
sanguínea e estimula a produção de colágeno, minimizando o processo.
- -
Questões como estas permearão as aulas do curso de especialização em
Gerontogeriatria da Unilins, na modalidade semi-presencial, coordenado pela
profa. Wanda Patrocinio (Mestre em Gerontologia)
|
|
UNILINS - Centro Universitário de Lins © Copyright 2010 • Av. Nicolau Zarvos, 1925 - Jardim Aeroporto - CEP 16401 371 - Lins-SP Telefone (14) 3533-3200 • Cursos de Graduação: 0800 771 3200 • Outros Cursos: 0800 771 3090 |