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Mais exercício e menos remédio para
mulheres acima de 60
"" Data da Notícia: 03/12/2010 Um estudo verificou que mulheres acima de 60 anos que praticam 150 minutos
por semana de atividades físicas moderadas, como caminhadas, consomem menos
remédios em comparação às que não têm o mesmo hábito. A conclusão é de
Leonardo José da Silva, no trabalho de mestrado “Relação entre nível de
atividade física, aptidão física e capacidade funcional em idosos usuários
do programa de saúde da família”, realizado na Universidade Federal de São
Paulo com Bolsa da FAPESP. Silva acompanhou 271 mulheres com idade acima de
60 anos que participaram do Programa de Saúde da Família, organizado pela
Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. As
participantes que cumpriram um programa de exercícios variados de no mínimo
150 minutos semanais apresentaram consumo de medicamentos 34% menor em
comparação às mais sedentárias.
“Esse tempo mínimo de exercícios de 2,5 horas semanais é preconizado pela
American Heart Association e pelo American College of Sports Medicine”,
disse Silva à Agência FAPESP. Com menos de 10 minutos semanais de atividade
física o indivíduo é considerado sedentário e entre 10 minutos e 150
minutos de exercícios por semana ele é categorizado como insuficientemente
ativo. Os resultados do estudo de Silva foram apresentados em maio no 3th
International Congress Physical Activity and Public Health realizado em
Toronto, no Canadá. Silva contou com uma parceria entre a Unifesp e o
Centro de Estudos de Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul
(Celafiscs). Guiomar Silva Lopes, professora do Departamento de Medicina
Preventiva da Unifesp e orientadora de Silva, considera o programa
oferecido pela cidade paulista aos idosos uma valiosa fonte de pesquisa.
“Trata-se de uma população pequena e estável, o que facilita o
acompanhamento dos participantes durante prazos mais longos”, disse. As
atividades físicas disponibilizadas incluem caminhadas, exercícios de
aprimoramento de força muscular, equilíbrio, flexibilidade e capacidade
aeróbica. Há também visitas domiciliares feitas por agentes de saúde, nas
quais os idosos são incentivados a praticar atividades físicas frequentes,
como ir ao mercado ou fazer um passeio a pé. O consumo de remédios das
participantes da pesquisa foi avaliado por meio do cadastro da Secretaria
Municipal da Saúde de São Caetano do Sul. Na base de dados estão
registradas informações relevantes sobre todos os participantes do Programa
de Saúde da Família, incluindo os medicamentos consumidos regularmente.
Economia de medicamentos
Segundo Guiomar, os resultados do estudo poderão subsidiar políticas
públicas que incentivem a atividade física visando à prevenção e controle
das doenças crônicas associadas ao envelhecimento, reduzindo despesas com
medicações e internações. “Podemos perceber a importância desse estudo ao
constatar que o idoso consome, no mínimo, cinco medicamentos associados a
doenças ligadas ao envelhecimento”, disse a orientadora. A relação causa e
efeito entre atividade física e consumo de medicamentos ainda está sendo
estudada. A redução dos níveis de pressão arterial proporcionada pela
atividade física é uma das hipóteses levantadas pelo estudo de Silva, uma
vez que a doença é uma das mais comuns entre a população idosa, estando
presente em mais da metade das pessoas acima de 60 anos. O diabetes, com
prevalência de 25% entre idosos, é outra enfermidade afetada pelo nível de
atividade física. “Há estudos indicando que exercícios respiratórios
aumentam a sensibilidade do organismo à insulina”, comentou a professora da
Unifesp. Esse efeito é importante para as pessoas em cujos organismos a
insulina não atua de maneira eficiente. “A resistência à insulina tem alta
prevalência na população idosa e se caracteriza pela menor resposta à
insulina, com aumento discreto da glicemia e da insulinemia. Estes fatores
juntos contribuem para a obesidade e o aumento do risco de doenças
cardiovasculares”, disse. As mulheres são as que mais se beneficiam da
prática de atividades físicas, no caso levantado em São Caetano do Sul.
Guiomar conta que a pesquisa se restringiu ao público feminino porque ele
representa a grande maioria dos participantes do programa. A professora
ressalta que não são completamente conhecidas as razões que levam a menor
participação masculina nessas atividades. “Sabemos que a mulher tem
expectativa de vida um pouco maior do que a do homem, aumentando a
frequência de mulheres viúvas e sozinhas, porém esse fato não explica a
absoluta ausência masculina”, disse. Segundo Silva, o estudo destaca o
fortalecimento da medicina preventiva, área que se encontra em crescimento
e tem laços com a educação física. “A prescrição de medicamentos ainda é
preponderante na prática médica. Podemos diminuir esse consumo de remédios
com métodos de prevenção baratos e simples como a atividade física”,
sugeriu.
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Questões como estas permearão as aulas do curso de especialização em
Gerontogeriatria da Unilins, na modalidade semi-presencial, coordenado pela
profa. Wanda Patrocinio (Mestre em Gerontologia)
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