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Ritmo de marcha revela saúde do idoso
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Data da Notícia: 05/11/2010


Cérebro, coluna, nervos, músculos, articulações. Coração e pulmões. Juntos,
e funcionando bem, são eles que permitem o caminhar ereto, ritmado de
tantos idosos. Mas se o complexo sistema não vai bem, os pés arrastam-se, a
coluna dobra, o movimento é cada vez mais lento. Médicos defendem que a
velocidade de marcha também seja considerada um medidor de saúde durante o
envelhecimento, tão relevante quanto outros quatro sinais vitais já
avaliados nas consultas: pressão, frequência respiratória, temperatura e
massa corporal. Perder a velocidade dos movimentos é um sinal natural de
diminuição da vitalidade, de saúde deficiente em diferentes espécies, mas
muitos especialistas não levam isso em conta. Em trabalho publicado no fim
de 2009 na revista científica Journal of Nutrition, Health and Aging,
membros de uma força-tarefa da Academia Internacional de Nutrição e
Envelhecimento apontaram, após revisão da literatura, que a velocidade de
marcha é um instrumento eficiente para prever expectativa de vida,
surgimento de incapacidade física, necessidade de hospitalização, quedas e
demências. Justamente por ser a expressão da interação de diferentes órgãos
e estruturas do corpo. Segundo o estudo, uma velocidade de marcha menor do
que 0,6 m/s deve ser considerada extremamente preocupante. Entre 0,6 a 1
m/s, a situação é regular. E acima de 1 m/s, normal. "O andar é fundamental
para o bem-estar. Todo mundo que já quebrou a perna sabe o quanto é ruim.
As pessoas se preocupam com o idoso, mas não com sua mobilidade", afirmou
ao Estado Stephanie Studenski, professora da divisão de Medicina Geriátrica
da Universidade de Pittsburgh (EUA) e uma das maiores autoridades mundiais
em mobilidade de idosos. Ela esteve no 17.º Congresso Brasileiro de
Geriatria, em Belo Horizonte. Anormalidades na marcha podem indicar, por
exemplo, o avanço de uma doença que já acomete o idoso, como uma
cardiopatia, ou então um ou vários problemas de saúde desconhecidos que
demandam investigação, como artrite, doenças pulmonares, distúrbios da
visão ou causados pela diabete. Mesmo a depressão pode levar um idoso a
arrastar-se. Além disso, a velocidade da marcha revela o consumo de energia
dos velhos, o que ajuda predizer sua capacidade de cumprir tarefas
cotidianas. 

Sobrevida 

Um grupo chefiado por Stephanie e que trabalha para o Serviço Nacional de
Envelhecimento do governo americano aprofunda a pesquisa sobre a relação
entre a velocidade de marcha e a expectativa de vida. As análises apontam
que uma velocidade de 0,6 metros/s estaria relacionada, por exemplo, a uma
sobrevida de não mais do que cinco anos. Por outro lado, aqueles que, por
meio de intervenções, aumentam a velocidade, vivem mais. "Os médicos não
dão atenção à marcha porque ainda aprendemos tudo separadamente", diz a
médica. O próximo passo é chegar a um teste universal para medir a
velocidade no consultório. "A marcha é fundamental, mas os médicos estão
mais preparados para avaliar a de uma criança", afirma Alexandre Kalache,
que dirigiu por 13 anos o Programa Global de Envelhecimento da OMS. Segundo
o geriatra Emílio Moriguchi, ex-diretor do centro colaborador da OMS para
prevenção de doenças associadas ao envelhecimento, uma série de pesquisas
no Japão relaciona a marcha à idade biológica desde os anos 70. "A
velocidade de marcha é um indicador sentinela de que algo não vai bem e
deve ser investigado", diz a fisioterapeuta Mônica Perracini, diretora
científica da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. "Mas a
sociedade ainda acha que é aceitável o idoso andar devagar. Um idoso
curvado foi por muito tempo usado até na sinalização do metrô". 

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Para aqueles que têm interesse em questões relativas aos idosos e aos
processos de envelhecimento, o curso de especialização em gerontologia da
Unilins proporciona a oportunidade de conhecimento e novos aprendidos nesta
área.



		

Fonte: Estadao.com.br



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