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Pais tecnológicos, filhos conectados
""PAI, O E-MAIL tá tipo... morto! Te mando por SMS.""

Data da Notícia: 12/08/2010


"PAI, O E-MAIL tá tipo... morto! Te mando por SMS."

Essa foi a resposta da minha filha quando pedi que enviasse uma informação
para meu correio eletrônico. Pareceu exagerada a afirmação. Mas tente se
comunicar com um adolescente por e-mail. A chance de um "reply" nunca
chegar é grande. A razão é simples: as novas gerações, que nascem e crescem
cercadas de tecnologia, estão mudando a forma como encaram alguns dos
preceitos mais básicos da comunicação e da sociabilidade.

Como pai "tecnológico", tenho observado com crescente interesse essa
evolução. Não basta conhecer as melhores tecnologias. É preciso estar
próximo e entender o que está mudando na cabeça dessa moçada. Para chegar
mais perto deles, comprei e aprendi a pilotar uma mesa de DJ e recebo
grupos de amigos de minha filha para reuniões em casa. É como um Orkut ao
vivo.

Com essa convivência próxima, constatei que há algumas mudanças nessa
geração que não controlamos, fazem parte de um novo mundo. Primeira: os
jovens se comunicam por meio de mensagens cada vez mais curtas. Segunda:
esse mesmo jovem se acostumou com informações instantâneas.

Para eles, não faz mais sentido visitar a biblioteca para encontrar
respostas às suas dúvidas. E, finalmente, os jovens estão obcecados por
compartilhar com o maior número possível de pessoas tudo o que fazem.
Era preciso me adaptar. Com minha filha adolescente, mensagens de texto
pelo celular e em rede social geralmente funcionam melhor que o e-mail. Já
a filha mais nova, em fase de alfabetização, não aceita mais "eu não sei"
como resposta.

Para ela, celular ou computador têm a capacidade de responder na hora o que
ela quer saber. Outro dia ela perguntou para minha esposa quantos países
existem no mundo.

E, diante da resposta negativa, disse: "Mas você tem o Google no seu
celular!". Achado e respondido.
O desafio, no entanto, vai muito além de compartilhar informação.
Essa galera está ampliando cada vez mais sua capacidade de relacionamento.
E com isso o desejo de dividir com mais e mais pessoas aquilo que fazem,
aquilo de que gostam.

Muitas vezes, saber quem é quem no meio de centenas de "amigos virtuais"
não é tarefa fácil.
Na minha época, ser popular era lotar uma festinha com as crianças da
escola. Hoje, popular é aquele com maior número de seguidores no Twitter ou
de amigos no Orkut.
Nesse desejo de multiplicar suas conexões reside um risco e cabe a nós
mitigá-lo. Recentemente, um casal adolescente no Sul do país se prestou a
uma exibição pouco ortodoxa para simplesmente aumentar o número de
seguidores em seus perfis do Twitter. Quanto mais gente conectava, mais
ousados ficavam. Acabaram com quase 10 mil seguidores on-line e um papo
nada agradável na delegacia.

Ser pai em dias modernos representa desafio grande. Demanda dedicação e
equilíbrio entre liberdade e modernidade. Há alguns anos, tomei decisões
simples que me ajudam a manter esse equilíbrio. Por exemplo: durante muito
tempo, só aceitei que minha filha mais velha acessasse rede social com
senha compartilhada. Tentei ensiná-la o básico: não aceite amigos que não
conheça, cuidado com o que dizem na internet, nada de compartilhar
informações pessoais.

Outra medida simples e eficaz: em casa, lugar de computador é na sala ou no
corredor. Jamais em quartos isolados ou fechados. Agora, mais do que
qualquer medida, a proximidade, a conversa e o entendimento do que está
mudando nos hábitos das novas gerações é o que mais ajuda no desafio de
educar nos tempos modernos. E de entender o que a juventude espera de
nossas empresas, como profissionais e como consumidores.

A internet permite acelerar o desenvolvimento infantil em muitos sentidos e
é um meio essencial para a evolução da sociedade. Como no mundo físico, a
inserção dos nossos filhos nessa nova realidade deve acontecer passo a
passo e com supervisão. Mesmo que seu pai conheça tudo sobre internet e
tecnologia!		

Fonte: Alexandre Hohagen - Folha de S. Paulo



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