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Procura-se engenheiro
"Carências do país na área de engenharia são dramáticas e evidenciam necessidade de avanços educacionais para aumentar a competitividade." Data da Notícia: 12/07/2010 Carências do país na área de engenharia são dramáticas e evidenciam
necessidade de avanços educacionais para aumentar a competitividade.
O crescimento econômico vai cobrando a conta das deficiências educacionais
que persistem no país. A situação na área de engenharia, conforme mostrou
reportagem publicada ontem pela Folha, é dramática.
Entidades do setor estimam que o Brasil perca algo como US$ 15 bilhões (R$
26,5 bilhões) por ano com falhas em projetos de obras públicas. O valor, em
torno de 1% do Produto Interno Bruto, veio à luz em Curitiba, na semana
passada, durante a realização de encontro nacional de engenheiros.
De acordo com a CNI (Confederação Nacional da Indústria), cerca de 150 mil
vagas para profissionais formados em engenharia não terão como ser
preenchidas até 2012. A evasão, nos 1.374 cursos existentes no país,
alcança 80%. Dos 150 mil alunos que ingressam no primeiro ano, só 30 mil
concluem os estudos.
O diretor da Escola Politécnica da USP, uma das mais conceituadas do país,
estima que apenas 1 em cada 4 estudantes ingressa no mercado com formação
adequada. Em sua avaliação, não passam de 10 mil os engenheiros que deixam
as escolas anualmente com a necessária competência.
O gargalo traduz-se em mais custos e menos competitividade para as
empresas. Muitas delas veem-se compelidas a compensar o desequilíbrio com
investimentos em cursos próprios e convênios com faculdades. Cerca de 76%
das empresas brasileiras possuem programas de treinamento e formação de mão
de obra.
Gasta-se na educação formal e, de novo, no treinamento corporativo, que não
raro vai oferecer ao estudante o que ele já deveria ter aprendido na
escola. Com isso, em áreas cruciais como a engenharia, o Brasil vai ficando
para trás na competição com outras economias emergentes -ao mesmo tempo em
que o preço da mão de obra qualificada se eleva.
A Amcham (Câmara Americana de Comércio) pretende entregar ao governo e aos
candidatos à Presidência um documento com análises e propostas para
enfrentar a situação. As principais preocupações voltam-se para a má
qualidade dos cursos e para o aparente desinteresse dos mais jovens pela
área de engenharia. Após um período de expansão contida, o Brasil tem
conseguido, nos últimos anos, colher os frutos dos ajustes realizados desde
a implantação do Plano Real.
O país dá sinais de que encontra, enfim, um lugar na corrente do
crescimento global - mas se quiser continuar avançando, a economia terá de
se mostrar cada vez mais competitiva e o Estado, mais eficiente. Para
tanto, a educação precisa estar no topo da lista de prioridades.
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