Unilins :: Centro Universitário de Lins Clique aqui para imprimir
Intimidade em Construção
"Hoje, pais e filhos conversam abertamente sobre suas relações amorosas."

Data da Notícia: 14/06/2010


QUAIS SERÃO os significados para namoro que os mais novos têm construído a
partir da atenta observação que fazem do mundo adulto? Duas histórias
ajudam a levantar algumas pistas a esse respeito.
A primeira teve como foco os adolescentes. Em uma conversa, duas mães
trocavam ideias a respeito da novidade que enfrentavam: as relações
amorosas dos filhos.
Uma reclamava que a filha não queria outra coisa a não ser namorar e que
ela estava há semanas ocupada com o presente que daria ao namorado no
próximo dia 12. Estudos, provas? Nem pensar.
Sua interlocutora, depois de ouvir a queixa, disse que ficaria feliz se sua
filha tivesse um namorado. "Melhor namorar do que ficar, ficar e ficar",
disse. Em seguida, contou que já conversara com a filha diversas vezes na
tentativa de convencê-la de que beijar vários meninos na mesma noite não a
faria feliz, mas nunca tivera êxito.
A segunda história envolveu uma criança de quase sete anos. Depois que ela
observou atentamente a mão de sua professora, perguntou por que esta usava
duas alianças. Antes mesmo de a professora responder, arriscou sua hipótese
e perguntou se ela tinha dois namorados.
A professora achou graça e esclareceu que se tratava de dois anéis e disse
que ninguém tinha dois namorados. A garota prontamente respondeu: "Minha
mãe tem". A professora, totalmente sem graça, não soube como levar a
conversa adiante.
Essas histórias ilustram duas características do mundo contemporâneo.
Hoje, pais e filhos conversam abertamente sobre suas relações amorosas. Não
são apenas os filhos que consultam seus pais ou contam suas alegrias e/ou
decepções nesse campo na expectativa de que, com sua experiência, eles
possam ajudar.
Muitos pais que se separam e tentam construir uma nova relação se abrem com
seus filhos para contar intimidades que, antes, eram proibidas.
Outra característica é o fato de que crianças pequenas têm aprendido coisas
com os adultos que não lhes dizem respeito, ainda. Como elas não sabem
disso, usam o que aprendem da maneira que podem e conseguem.
Por que será que muitos adolescentes têm preferido ficar a namorar?
Entre outros motivos, certamente porque constataram, direta ou
indiretamente, que não é pequeno o número de adultos de seu círculo que
reclamam dos compromissos que um relacionamento amoroso impõe. E
compromisso, hoje, é sinônimo de aprisionamento, não é?
Por que será que crianças bem pequenas beijam seus pares na boca com muita
frequência, querem "namorar", sofrem de amor e versam sobre essas questões
com a maior naturalidade? Porque acreditam que isso faz parte de suas
vidas. E não faz?
Por que será que casais de adolescentes namoram escandalosamente em
qualquer local público, sem a menor cerimônia? Porque eles nasceram e
crescem num mundo que não tem clareza a respeito do que cabe no convívio
social e do que deveria se restringir à intimidade.
Não sei se temos o que ensinar aos mais novos sobre troca de afeto,
enamoramento, namoro e compromisso amoroso, já que temos, nós mesmos,
tropeçado bastante nessas questões depois que o mundo trocou seus
principais valores. Nossa contribuição talvez seja a revisão da hierarquia
dos valores que estabelecemos para o tema.		

Fonte: Rosely Sayão



UNILINS - Centro Universitário de Lins © Copyright 2010 • Av. Nicolau Zarvos, 1925 - Jardim Aeroporto - CEP 16401 371 - Lins-SP
Telefone (14) 3533-3200 • Cursos de Graduação: 0800 771 3200 • Outros Cursos: 0800 771 3090