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Construção civil vai liderar crescimento no país
"A perspectiva é de que investimentos anuais para infraestrutura cheguem a 7% do PIB."

Data da Notícia: 26/01/2010


O diretor-executivo da Apex Engenharia, Eduardo Aroeira, foi obrigado a
botar o pé no acelerador de seus projetos, pois o risco de perder negócios
para a concorrência é enorme. "Nunca o mercado da construção civil esteve
tão aquecido, nem mesmo antes da crise mundial. E o mais interessante é que
as vendas de imóveis estão sendo puxadas pelas classes C e D - uma massa de
137 milhões de brasileiros -, que, historicamente, sempre foram alijadas do
processo", diz. Com a demanda fervilhando, o empresário teve que antecipar
para 2009 todos os lançamentos previstos para 2010. "E vendemos tudo",
afirma. Agora, a ordem é adiantar o planejamento em dois anos. Ou seja,
todos os empreendimentos programados para 2011 e 2012 serão ofertados no
ano que se inicia. "Prevemos movimentar pelo menos R$ 144 milhões, quase o
dobro de 2009", ressalta. 

 A prosperidade dos negócios obrigou Aroeira a construir uma nova sede
quatro vezes maior do que a antiga e a duplicar o número de funcionários.
"Melhoramos a nossa capacidade de atendimento e aprimoramos a logística da
empresa para agilizar as operações", destaca. O caso da Apex é exemplar,
pois reflete fielmente a lógica do crescimento. Se os negócios vão bem, o
setor produtivo amplia os investimentos, aumenta a oferta de empregos e os
salários sobem. "Com o crescimento econômico que se projeta para as
próximas duas décadas, tudo indica que veremos um ciclo contínuo de
investimentos, tanto por parte do setor privado quanto do governo, o que
trará muitos ganhos para o país, desde, é claro, que o meio ambiente seja
preservado", afirma Cristiano Souza, economista do Banco Santander. 

 A perspectiva é de que apenas os desembolsos anuais para obras de
infraestrutura cheguem a 7% do Produto Interno Bruto (PIB) a partir de
2011, com o próximo presidente da República empossado. Hoje, esses
investimentos têm girado em torno de 3,8% do PIB, mas já tiveram um piso de
1,8%, em 1994, e um pico de 5,6% nos anos 1970. Três fatores sustentam
projeção tão otimista: a Copa do Mundo de 2014, a Olimpíada de 2016 e o
pré-sal, que vão se somar ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e
ao Minha Casa, Minha Vida. "Com esses eventos, que terão repercussão
econômica por vários anos, a taxa de investimento em relação ao PIB chegará
a 25% (contra os atuais 17,7%)", assegura o presidente do Banco Central,
Henrique Meirelles. Se confirmada, essa taxa será um fator a mais para
sustentar a condição do Brasil de quinta maior economia do mundo, a ser
alcançada nos próximos cinco anos. 

 Mapa

 A Copa do Mundo demandará investimento de até R$ 155 bilhões. "Nós já
temos mapeados R$ 99 bilhões", conta o diretor comercial do Banco do Brasil
(BB), Sandro Marcondes. "Serão R$ 86 bilhões em infraestrutura e mobilidade
urbana", detalha. Desse total, pelo que está prometido, o governo bancará
R$ 24,7 bilhões, dos quais R$ 8 bilhões serão para melhorar o sistema de
transportes nas 12 cidades-sede dos jogos. Outros R$ 6 bilhões devem ir
para a reforma e a ampliação de aeroportos, R$ 5,4 bilhões para o segmento
de turismo, R$ 4,8 bilhões para reformas e construção de estádios e R$ 500
milhões para a melhoria dos portos. Esses cálculos, avisa o diretor do BB,
não incluem o trem-bala, que demandará investimentos de pelo menos R$ 35
bilhões e só deverá ficar pronto em 2015. 

 "O suporte do governo investindo em infraestrutura é vital. Mas os
desembolsos deverão ser comandados pelo setor privado", destaca o
economista Aurélio Bicalho, do Banco Itaú Unibanco. Mas, a seu ver, mais do
que a Copa do Mundo, serão as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, com
investimentos iniciais estimados entre R$ 80 bilhões e R$ 100 bilhões, que
impactarão de forma positiva o crescimento econômico. Para comprovar essa
tese, ele esmiuçou o PIB de todos os países que sediaram Copas do Mundo e
Olimpíadas desde 1980. "O que se observou foi que, nos quatro anos
seguintes às Olimpíadas, a economia dos países analisados cresceu, em
média, 0,7 ponto percentual a mais do que nos quatro anos anteriores ao
evento", destaca. 

 Outro ganho relevante é observado por Andrew Rose, professor da
Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos: os países que
sediam megaeventos internacionais aumentam em até 30% o comércio exterior,
pois beneficiam exportadores e importadores. "As transmissões dos jogos
para o mundo todo ampliam o conhecimento sobre os produtos dos países-sede.
É o tipo de publicidade que, isoladamente, os empresários não podem fazer",
diz o presidente do BC, que foi um dos garotos-propaganda do Brasil na
disputa pela Olimpíada de 2016. "Também empresas de outros países vão se
interessar em vender seus produtos aqui ou mesmo instalarem fábricas no
país", acrescenta. 

 O diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, acredita que os
investimentos voltados para a Copa e as Olimpíadas deverão ficar mais
evidentes a partir de 2010, sobretudo os estrangeiros, direcionados à
construção civil. Mas é importante, na opinião de Zeina Latif,
economista-chefe do Banco ING, que o Brasil não se torne dependente demais
do capital externo que virá para cá para tirar proveito do ciclo de
crescimento. Quanto mais precisar de poupança estrangeira para se
financiar, maiores serão as chances de o país criar desequilíbrios à
frente, abrindo espaço para crises. No entender de Zeina, para o histórico
do Brasil, de constantes crises cambiais, o ideal é que o deficit nas
contas externas fique em, no máximo 3% do PIB. Acima desse patamar, a luz
amarela se acenderá. 

 Petróleo

 Para o vice-presidente de Negócios Internacionais e de Atacado do Banco do
Brasil, Allan Toledo, o Brasil do futuro está longe de se meter em crises.
"O que vemos é uma potência em construção", afirma. E tal visão, segundo
ele, pode ser explicada pela enorme quantidade de projetos que a
instituição estatal está financiando, especialmente na área de energia.
"Junto com cinco bancos, estamos destinando R$ 2 bilhões às hidrelétricas
de Santo Antônio e de Jirau, ambas no Rio Madeira, em Rondônia. Estamos,
ainda, analisando operações nos setores naval, rodoviário e de petróleo",
enfatiza. 

 O BB, acrescenta Toledo, entrará com tudo no financiamento da exploração
do pré-sal, diante do potencial ganho. A previsão da Petrobras é dobrar a
produção diária de petróleo nos próximos 10 anos, elevando a participação
do setor no PIB de 10% para 20%. Até 2013, a empresa investirá US$ 174
bilhões. Para não ver seus planos frustrados, a estatal capacitará mais de
200 mil pessoas em 185 categorias profissionais. A cadeia de fornecedores
deverá abrir, em cinco anos, 500 mil vagas, duas vezes e meia o total de
postos existentes hoje. 		

Fonte: Correio Braziliense



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