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Um Raio X Da Prova
"Dezessete respostas para as principais dúvidas sobre o Enem que será aplicado aos estudantes nos dias 3 e 4 de outubro" Data da Notícia: 28/09/2009 Dezessete respostas para as principais dúvidas sobre o Enem que será
aplicado aos estudantes nos dias 3 e 4 de outubro
1. O que diferencia o novo Enem do tradicional vestibular? O Enem é um
exame mais voltado para testar a capacidade de raciocínio do aluno do que
para medir quanto conhecimento ele armazenou ao longo de sua vida escolar -
propósito ainda da maioria dos vestibulares do país. Na prática, significa
que a nova prova exclui boa parte da decoreba requerida nos concursos
tradicionais. As questões serão sempre contextualizadas e
interdisciplinares - ao contrário das do vestibular, separadas segundo a
área de conhecimento. A ideia, afinal, é saber se o estudante consegue
interligar as matérias escolares de modo a solucionar os problemas que se
apresentam no dia a dia.
2. O que cairá no novo exame? Serão 180 questões de múltipla escolha,
divididas em quatro áreas de conhecimento, mais uma redação. As ciências
naturais abrangem química, física e biologia. As humanas contemplam
história, geografia, filosofia e sociologia - essas duas últimas,
disciplinas obrigatórias no ensino médio, mas que raramente são exigidas no
vestibular. Há ainda matemática e a área de linguagens, basicamente voltada
para a interpretação de textos. Pelo menos neste ano, os idiomas
estrangeiros ficaram de fora.
3. Qual a diferença entre o novo e o extinto Enem? A versão atual é bem
mais abrangente em relação às áreas de conhecimento testadas. Por isso, tem
quase o triplo de questões. É também um exame mais exigente do que o antigo
Enem. Para se ter uma ideia, antes, cerca de metade das perguntas era de
nível básico e o restante, de dificuldade mediana - segundo definição do
próprio Inep. Hoje, 70% delas são de média a alta complexidade.
4. Quem elaborou a prova? O próprio Inep, órgão especializado em avaliações
do Ministério da Educação. O restante do processo - distribuir, aplicar e
corrigir as provas - está sob a responsabilidade de um consórcio formado
por três institutos privados, escolhidos por meio de licitação. A operação
envolverá 350 000 pessoas.
5. Haverá Enem em todas as cidades do país? Não. A prova será aplicada em 1
826 dos 5 500 municípios brasileiros.
6. Quantas universidades vão adotar o Enem neste ano? 1 038, entre públicas
e particulares. Isso representa 55% das instituições de ensino superior do
país. Dessas, mais de 500 faculdades privadas e 23 das 55 federais
substituirão integralmente o vestibular pelo novo Enem. O restante fará uso
parcial da prova do MEC, sem deixar de lado seus antigos concursos. É o
caso da USP e da Unicamp, que consideram o Enem para elevar as notas dos
alunos na primeira fase de suas respectivas seleções. A lista completa das
federais que vão aderir ao exame está no site www.enem.inep.gov.br.
7. A nota obtida na prova poderá ser submetida a mais de uma universidade?
Sim. É justamente esse o propósito do exame unificado. Só que, no caso das
23 federais que trocaram o vestibular pelo Enem, há um limite estabelecido
pelo MEC: uma mesma nota será válida para até cinco cursos, sejam eles de
uma única instituição ou de diferentes universidades. Essas federais fazem
hoje parte do que o ministério intitulou Sistema Seletivo Único.
8. Como funcionará o Sistema Seletivo Único? É um grande banco de dados
informatizado no qual o aluno, com a média que obteve no exame em mãos,
fará a inscrição nos cursos de seu interesse - por ordem de prioridade (no
site www.mec.gov.br). Cada instituição, por sua vez, divulgará ali a sua
nota de corte.
9. Como saber se uma nota será suficiente para ingressar numa universidade?
O sistema permitirá ao aluno visualizar, on-line, as notas de todos os
candidatos ao mesmo curso. Ele saberá assim se tem chances reais de ser
aprovado. Dependendo das médias que forem surgindo, as universidades também
poderão alterar suas notas de corte, de modo a ajustar-se à realidade. Esse
processo se dará no dia 8 de janeiro, quando o resultado do novo Enem será
divulgado. O Inep sugere que o aluno acompanhe a situação até o último
instante - para fazer, dessa forma, uma escolha mais certeira.
10. O Enem continuará a resultar no ranking das escolas de ensino médio?
Sim, exatamente como antes. A média de cada escola será estabelecida a
partir das notas obtidas por aqueles estudantes que se submeterem à prova.
Como só faz o Enem quem quer, nem sempre as notas traduzem a realidade de
100% dos alunos de um colégio. Ainda assim, o ranking tem funcionado como
um bom indicador da excelência acadêmica.
11. Quem não conseguir passar neste ano poderá fazer uso da mesma nota para
tentar ingressar numa universidade em 2010? Sim. O MEC sugeriu às
universidades que elas aceitem a mesma nota no Enem por até três anos. Mas,
como as instituições federais têm autonomia para decidir, esse limite pode
ser ainda maior. É preciso ir atrás da informação - caso a caso.
12. Se o aluno tirar uma nota baixa, isso ficará registrado em seu
histórico escolar? Não. É do aluno a decisão de submeter sua nota às
universidades ou simplesmente descartá-la. Nesse caso, poderá tentar
resultado melhor no ano seguinte.
13. Haverá um único Enem por ano? Não. Em 2010, o MEC planeja oferecer
dois. A meta é chegar a sete edições anuais, como ocorre com o SAT - prova
para ingresso nas universidades americanas em cujo sistema o Enem se
inspira.
14. Quem está ainda no ensino médio pode fazer a prova, como já acontecia
com o velho Enem? Sim, mas a experiência valerá somente como treino. As
universidades aceitam apenas a nota daqueles alunos que já concluíram o
ciclo escolar.
15. Os cursinhos já estão preparando os estudantes para o novo Enem? Uma
parte, sim - principalmente aqueles das grandes redes de ensino. Como
souberam do novo exame apenas em maio, a adaptação foi às pressas. Eles
fizeram novas apostilas, treinaram os professores para entrelaçar as
matérias nas aulas e aumentaram a carga horária de estudos. Na maioria dos
cursinhos menores, as mudanças ficaram para o ano que vem.
16. Como é possível que um aluno que fez o Enem neste ano concorra com
outro que se submeterá ao exame só em 2010? Não são provas diferentes? As
provas são comparáveis do ponto de vista estatístico porque, ao contrário
do vestibular, a distribuição das questões por níveis de dificuldade
seguirá um único padrão: haverá sempre questões fáceis, medianas e difíceis
- na mesma proporção.
17. Quantas vezes um aluno pode fazer o Enem? Quantas ele quiser. Não há um
limite preestabelecido.
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