|
A chave para a faculdade
"O novo Enem, exame que vai substituir o velho vestibular, exige mais raciocínio do que memória " Data da Notícia: 24/09/2009 Quatro milhões e meio dos 5 milhões de jovens brasileiros que vão tentar
garantir uma vaga na universidade neste ano vivem as angústias típicas de
um momento decisivo - e mais uma: eles compõem o primeiro grupo de
estudantes que fará o novo Enem, prova recém-criada pelo Ministério da
Educação com o objetivo de substituir o velho vestibular. A mudança estreia
em 23 das 55 universidades federais do país e em mais 500 faculdades
particulares. Outras 500 instituições, entre elas USP e Unicamp, também vão
adotar o Enem, mas apenas como parte de seu processo seletivo. A
expectativa do MEC é que, até 2012, todas as federais abandonem seu
concurso. Desde 1911, quando surgiu o primeiro vestibular no Brasil, não se
via uma transformação tão radical - e ela é um avanço em pelo menos dois
aspectos. O primeiro diz respeito ao conteúdo da prova. Enquanto o velho
vestibular exige do aluno a memorização de uma quantidade colossal de
fórmulas, datas e nomes, o novo exame procura aferir, basicamente, a
capacidade de raciocínio em questões que combinam as várias áreas do
conhecimento e traduzem a vida real - uma evolução inquestionável. O outro
se refere à implantação do sistema unificado de prova. O exame será o mesmo
em todas as faculdades em que for adotado. Isso significa que, com uma
única nota, o aluno terá agora em mãos um passaporte de entrada para
centenas de universidades em todo o país.
Mais complexa e abrangente do que o extinto Enem, criado pelo MEC em 1998,
a nova prova foi concebida sob a inspiração do SAT, o exame de admissão às
universidades americanas, e do Pisa, teste internacional que afere a
qualidade do ensino. É o que há de mais evoluído hoje no mundo das
avaliações. "Com tanta informação disponível na internet, não faz mais
sentido querer medir quanto conhecimento o jovem armazenou na escola, mas,
sim, como ele é capaz de processar essas informações para chegar à solução
de problemas concretos", afirma o alemão Andreas Schleicher, que comanda o
Pisa. Sob esse prisma, tirando algumas boas exceções, o vestibular se
tornou uma prova anacrônica, que, com o tempo, foi deixando de espelhar as
reais demandas da própria sociedade. O que se espera dos jovens hoje,
afinal, é que se tornem profissionais com elevado grau de raciocínio e
inventividade para lidar com um crescente número de situações inesperadas.
O novo Enem é mais condizente com essa realidade. Define o economista
Claudio Haddad, do Insper: "O mercado não está mais atrás daqueles jovens
de saber enciclopédico e talhados para uma única função, mas busca com
afinco os que conseguem ter respostas rápidas para os desafios
imprevisíveis".
A prova do MEC com certeza vai influenciar positivamente, daqui para a
frente, o ensino médio do país. A maioria das escolas de nível médio,
inteiramente voltadas para treinar os jovens para o vestibular, acaba
valorizando o excesso de decoreba e de conteúdo em detrimento de um
mergulho mais aprofundado nos assuntos. "Os alunos absorvem poucos dos
conceitos essenciais na escola. É preciso repensar com urgência esse
sistema", diz Maria Inês Fini, doutora em educação. Repaginar um modelo de
ensino não é exatamente um processo rápido - mas o Enem já começou a dar um
empurrão nas escolas nessa direção. "Vamos abrir nossas primeiras turmas de
ensino médio em 2010 tomando como base justamente o currículo da nova prova
do MEC", conta Francisco Ferreira, diretor da Escola Viva, em São Paulo. O
que isso significa na prática? Que a grade de matérias passará a ser
empacotada em quatro grandes áreas do conhecimento, como no exame oficial,
e que as aulas entrelaçarão as várias disciplinas. É a tendência mundial.
Na Finlândia, o melhor país do mundo em educação, funciona exatamente
assim.
A apenas duas semanas do exame, muitos estudantes ainda têm dúvidas básicas
sobre o que e como estudar. O MEC divulgou as linhas gerais da prova e um
simulado que dá uma ideia de como as matérias vão ser cobradas. Mas gente
como Anna Carolina Cipparrone, 17 anos, e seus colegas do Colégio
Bandeirantes, em São Paulo, sente falta de detalhes sobre o que vai cair na
prova e de referências teóricas em que basear o estudo: "É um momento de
profunda ansiedade", resume. Para ela e os outros quase 5 milhões de jovens
às vésperas do novo Enem, as dicas a seguir, dadas pelos próprios
profissionais do Inep, órgão do MEC responsável pela elaboração do exame,
podem ser de grande valor. |
|
UNILINS - Centro Universitário de Lins © Copyright 2010 • Av. Nicolau Zarvos, 1925 - Jardim Aeroporto - CEP 16401 371 - Lins-SP Telefone (14) 3533-3200 • Cursos de Graduação: 0800 771 3200 • Outros Cursos: 0800 771 3090 |