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Talento é inteligência
"Howard Gardner, professor do Departamento de Educação da Universidade de Harvard, nos EUA, defende o conceito das múltiplas inteligências." Data da Notícia: 24/08/2009 Há cerca de 15 anos, começou a circular a ideia de que a inteligência
humana é múltipla. Ou seja, o ser humano pode ser extremamente dotado para
algum tipo de raciocínio e menos dotado para outros. Parece óbvio, mas a
aplicação desse raciocínio teve um impacto forte e novo na educação, seja
dentro das escolas ou das residências.
O americano Howard Gardner, professor no departamento de Educação da
Universidade de Harvard, é quem apresentou o conceito das múltiplas
inteligências ao mundo. Ele defende que pais e professores devem valorizar
as aptidões de seus filhos e cercá-los de estímulos, sem “desistir nunca”
se a criança ou o adolescente apresentar dificuldades em algumas áreas.
Convidado pela Universidade Positivo para uma conferência que acabou
sendo cancelada por causa da pandemia de gripe, Gardner esteve em Curitiba
na semana passada para conversar com os professores da instituição de
ensino. Antes de vir, ele explicou por e-mail ao Viver Bem suas ideias e
sua visão sobre a educação.
A relação entre estímulo externo e desenvolvimento da inteligência
De certa forma, o seu genoma define um limite para o desenvolvimento das
suas inteligências. Eu jamais poderia me tornar um Picasso, Beethoven ou
Pelé. Mas todas nossas conquistas são determinadas pelo meio que nos cerca
desde antes do nascimento, e são fortemente influenciadas pelos valores da
nossa família e pela cultura do meio em que vivemos. Até mesmo a confiança
no que se pode conseguir influência nossos resultados. Claro que
essa confiança vem das nossas experiências e dos modelos que nos cercam.
A inteligência não para de se desenvolver
Algumas inteligências, como a musical e a lógica/matemática florescem nos
primeiros anos da vida, enquanto a tendência é que as inteligências
pessoais evoluam conforme a vida avança. Mas a menos que a pessoa se torne
senil, todos os tipos de inteligência podem continuar se aperfeiçoando ao
longo da vida.
Circunstâncias desfavoráveis e superação
Há pessoas que superam enormes dificuldades. Pense em Helen Keller, que era
cega e surda (filósofa e conferencista americana, que teve excelente
desempenho acadêmico e se tornou uma escritora respeitada). Ou nos
presidentes Abraão Lincoln e Barack Obama, que tiveram tantas
circunstâncias desfavoráveis para superar. Mas muitas pessoas são
derrotadas pela sequência de dificuldades que encontram ao longo do
caminho. Nós deveríamos sempre agir para tornar as condições favoráveis
para o maior número de pessoas, mesmo reconhecendo que algumas pessoas são
dotadas de enorme resiliência.
O estímulo em casa e na escola
A família e a escola podem:
1) dar ao jovem todas as oportunidades possíveis;
2) cercá-lo de modelos positivos;
3) sempre amá-lo e nunca, nunca desistir dele.
A educação nos dias de hoje
Três aspectos me parecem mais relevantes na realidade atual da educação: 1)
os poderosos efeitos da globalização; 2) o crescimento gigantesco do
conhecimento no campo das ciências biológicas, especialmente na
neurociência e na genética; 3) a velocidade e a força das novas mídias
digitais. Cada um desses três aspectos irá mobilizar inteligências em novos
modos e exigirá que se repense a educação. O aspecto número três é o
assunto do meu último livro, Cinco Mentes para o Futuro (ainda não
publicado no Brasil). Países que estão preparados para lidar com estas
revoluções terão uma vantagem enorme sobre os demais.
As inteligências e o mercado de trabalho
Assim como o mercado de trabalho é muito variado, também as inteligências e
as combinações de inteligência que encontramos nas pessoas são variadas.
Nós temos colocado muita ênfase nas inteligências acadêmicas, na
linguística e na lógica/matemática. Olhando mais adiante, eu coloco a
ênfase maior nas inteligências interpessoais. Quem se conhece melhor, vai
melhor na vida e no trabalho. Percebe suas forças, as formas como aprendem,
seus objetivos e como atingi-los.
Inteligência e talento
Para mim, a distinção entre inteligência e talento é enganosa, ou até mesmo
perniciosa. Um indivíduo que é forte em uma área de conhecimento é chamado
de inteligente ou talentoso. Eu discordo de classificar uma pessoa que é
boa em música de talentosa e uma pessoa que é forte em matemática de
inteligente. Ou nós chamados as duas de talentosas, uma com música e a
outra com números, ou de inteligentes. |
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