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Unilins divulga informações sobre Mal de
Alzheimer
"" Data da Notícia: 17/08/2009 A Unilins e o curso de Enfermagem, com objetivo de contribuir para o
esclarecimento da população, divulgam informações sobre o Mal de
Alzheimer.
Veja abaixo o texto de Roberto Goldkorn.
Mal de Alzheimer
Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia "o
Infalível". Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse
que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que
repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do
pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca
mais esqueceu: esternocleidomastóideo.
O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que
ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue
terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os
famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer. Aliás,
fico até mais tranqüilo diante do "eu não sei ao certo" dos médicos;
prefiro isso ao "estou absolutamente certo de que...", frase que me dá
arrepios.
Há trinta anos, não ouvia sequer uma menção a essa doença maldita.
Hoje, precisaria ter o triplo de dedos nas mãos para contar os casos
relatados por amigos e clientes em suas famílias.
O que está acontecendo? Estamos diante de um surto de Alzheimer? Finalmente
nossos hábitos de vida "moderna" estão enviando a conta? O que os
pesquisadores sabem de verdade sobre a doença? Qual é o lado oculto dessa
manifestação tão dolorosa?
Lendo o material disponível, chega-se a uma conclusão: essa é uma doença
extremamente complexa, camaleônica, de muitas faces e ainda carregada de
mistérios.
Sabe-se, por exemplo, que há um componente genético. Por outro lado, o dr.
William Grant fez uma pesquisa que complicou um pouco as
coisas. Ele comparou a incidência da doença em descendentes de
japoneses e de africanos que vivem nos EUA, e com japoneses e nigerianos
que ainda vivem em seus respectivos países. Ele encontrou
uma incidência da doença da ordem de 4,1 para os descendentes de
2 japoneses que vivem na América, contra apenas 1,8 de japoneses do
Japão. Os afro-americanos vão mais longe: 6,2 desenvolvem a doença,
enquanto apenas 1,4 dos nigerianos são atingidos por ela.
Hábitos alimentares? Stress das pressões do primeiro mundo? Mas o Japão não
é primeiro mundo? Não tem stress?
A alimentação parece ser sem dúvida um elo nessa corrente, e mais ainda o
alumínio. Segundo algumas pesquisas, a incidência de alumínio encontrada
nos cérebros de portadores da doença é assustadoramente alta. Pesquisas
feitas na Austrália e em alguns países da Europa mostraram que, em atos
alimentados com uma dieta rica, o sulfato de alumínio (comumente colocado
na água potável para matar bactérias) danificou os cérebros dos roedores de
forma muito similar à causada
nos humanos pelo Alzheimer.
Pesquisas do Dr. Joseph Sobel, da Universidade da Califórnia do Sul,
mostraram que a incidência da doença é três vezes maior em pessoas expostas
à radiação elétrica (trabalhadores que ficavam próximos a redes de alta
tensão ou a máquinas elétricas). Mas não param por aí as pesquisas, que
apontam à arma em todas as direções. Porém, a que mais me chocou e me
motivou a fazer minhas próprias elucubrações foi o estudo das freiras.
Esse estudo, citado no livro "A Saúde do Cérebro", do dr. Robert
Goldman, Ed. Campus foi feito pelo dr. Snowdon, da Universidade de
Kentucky. Eles estudaram 700 freiras do convento de Notre Dame. Na verdade,
eles leram e analisaram as redações autobiográficas que cada freira era
obrigada a escrever logo ao entrar na ordem. Isso ocorria quando elas
tinham em média 20 anos. Essas freiras (um dos grupos mais homogêneos
possíveis, o que reduz muito as variáveis que deveriam ser controladas)
foram examinadas regularmente e seus cérebros investigados após suas
mortes.
O que se constatou foi surpreendente. As que melhor se saíram nos testes
cognitivos e nas redações - em termos de clareza de raciocínio,
objetividade vocabulário, capacidade de expressar suas idéias, mesmo
apresentando os acidentes neurológicos típicos do Alzheimer (placas e 3
massas fibrosas de tecido morto) não desenvolveram a demência
característica da doença. Ou seja, elas tinham as mesmas seqüelas que as
outras freiras com Alzheimer diagnosticado (e que tiveram baixos escores em
testes cognitivos e na redação), mas não os sintomas clássicos, como os do
meu pai.
A minha interpretação de tudo isso: não temos muito como controlar todos os
fatores de risco apontados como os vilões - alimentação, pressão alta,
contaminação ambiental, stress, e a genética (por enquanto). Mas podemos
colocar o nosso cérebro para trabalhar. Como?
Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos
circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela
vida "bandida". Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o
meu pobre pai; não cheguem ao topo nunca, pois dali, só há um
caminho: descer.
Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só
com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas
correndo atrás dos vazios e lapsos.
Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho
conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se
empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos
sessenta anos.
Não existem estudos provando que o Alzheimer é a moléstia preferida
dos arrogantes, autoritários e auto-suficientes, mas a minha experiência
mostra que pode haver alguma coisa nesse mato. Coloquem a palavra
FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca
ligaram para essas "bobagens" e viveram vidas medíocres e infelizes -
muitos nem mesmo tinham consciência disso.
Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente
novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? Hum...
Preocupante).
Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade.
Parodiando Maiakovski, que disse "melhor morrer de vodca do que de
tédio", eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a
personalidade roubada pelo Alzheimer.
Dicas para escapar do Alzheimer
Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a
capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões. Os
autores dessa descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que
NEURÓBICA, a "aeróbica dos neurônios", é uma nova forma de exercício
cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e
diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro.
Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de
terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito
perverso; limitam o cérebro. Para contrariar essa tendência, é necessário
praticar exercícios "cerebrais" que fazem as pessoas pensarem somente
no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é
fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um
trabalho adicional.
Tente fazer um teste: use o relógio de pulso no braço direito; escove os
dentes com a mão contrária da de costume; ande pela casa de trás para
frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque); vista-se de
olhos fechados; estimule o paladar, coma coisas diferentes; veja fotos
de cabeça para baixo; veja as horas num espelho; faça um novo
caminho para ir ao trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro. |
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