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Procuram-se engenheiros. De novo
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Data da Notícia: 10/08/2009


Mal começou a recuperação econômica e o setor de construção civil já se
depara com a disputa por engenheiros. O setor foi um dos menos atingidos
pela crise econômica e um dos que mais rapidamente voltou a crescer, graças
à resistência do mercado interno e a estímulos como o pacote habitacional
"Minha Casa, Minha Vida", lançado em março. 

No primeiro semestre de 2009, foram criadas 3,1 mil vagas para
profissionais com diploma universitário na construção civil, de acordo com
o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número ainda está
longe dos 7 mil postos criados no mesmo período de 2008, ano considerado
excepcional, mas já está próximo das 3,5 mil vagas criadas nos primeiros
seis meses de 2007.

De acordo com o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, mesmo com um ritmo menor de
abertura de postos de trabalho, o reaquecimento já trouxe de volta a
disputa por engenheiros. "Ainda temos um déficit grande de profissionais
que só vai ser suprido daqui a dois ou três anos", diz. Um dos retratos
desse déficit é a relação entre profissionais registrados no Confea e a
abertura de vagas, que até outubro de 2008 se manteve abaixo das vagas
abertas no mercado formal.

Melo diz que o aquecimento do mercado começou há três anos, como um reflexo
do investimento em infraestrutura. "Em 2009, teremos um mercado puxado
principalmente pela construção civil, que está fortemente aquecida, em
todos os Estados", diz. 

No ano passado, a disputa por engenheiros elevou os salários pagos no
setor. De acordo com o presidente do Confea, o salário de um profissional
sênior, que era de cerca de R$ 6 mil reais saltou para até R$ 18 mil em
alguns casos. "Havia uma disputa brutal no primeiro trimestre do ano
passado", diz. 

Após a crise, no entanto, algumas empresas estão mais cautelosas em relação
à oferta de maiores salários. "Temos visto empresas que oferecem outras
formas de atrativo, como cursos e planos de carreira para os
profissionais", diz o gerente da divisão de engenharia da consultoria de
recrutamento Robert Half, Roberto Britto.

Na consultoria, que tem presença internacional, o Brasil foi um dos países
que mais se manteve aquecido durante a crise. A área de engenharia, uma
exclusividade do País, é a que tem o melhor desempenho.

As incorporadoras Gafisa e Tenda, pertencentes ao mesmo grupo, adotaram
essa linha de estímulos para atrair os profissionais. Em 20 de julho, as
empresas abriram as inscrições para o programa Comece Bem, que pretende
contratar jovens engenheiros civis e de Produção no segundo semestre.
"Vamos fornecer para o profissional um período formação profissional", diz
Rodrigo Pádua, diretor de Recursos Humanos da Gafisa. Segundo ele, o grupo
pretende se fortalecer para um crescimento que virá no curto e médio prazo.


Outro atrativo da empresa, de acordo com Pádua, é a solidez econômica, um
atributo que passou a ser relevante após a crise. "Agora, o profissional
está mais seletivo, principalmente porque, após a crise, muitas empresas
que pareciam que iriam virar grandes se tornaram pouco representativas." 

Além do programa para novos profissionais a Gafisa já tem um programa de
desenvolvimento de lideranças estruturado. "Atualmente, cerca de 70% dos
nossos cargos de gestão são formados internamente", diz Pádua. Graças a
essa possibilidade de ascensão, Pádua diz que a incorporadora não enfrentou
problemas no ano passado, quando a disputa por profissionais foi mais
intensa.

A possibilidade de evolução na carreira foi o principal motivo que levou o
engenheiro civil Tiago de Oliveira Evangelista, de 27 anos, a mudar de
emprego. Ele trabalhava num escritório especializado em grandes edifícios e
há uma semana começou a trabalhar na construtora Homex do Brasil, que
trabalha com a habitação popular. "Percebi que teria maior oportunidade de
desenvolvimento profissional nessa área", diz. 

Para as construtoras menores, a procura fica mais difícil. "Tive de
contratar uma pessoa especializada para buscar um engenheiro em Santos",
diz o sócio-diretor da Etemp Engenharia, José Carlos Molina. Britto, da
Robert Half, diz que, após a crise, os profissionais passaram a exigir um
salário maior para mudar de emprego. "Muitos têm medo da mudança e, para
trocar de emprego, pedem agora um salário mais alto", afirma ele. 

Para o presidente do Confea, a carência de profissionais só vai acabar
quando se construir um plano nacional para a formação de engenheiros
planejado pelo Ministério da Educação. "Hoje, a falta de engenheiros é um
dos gargalos do Brasil, responsável, por exemplo, pelo atraso no PAC
(Programa de Aceleração do Crescimento)", diz. 

		

Fonte: O Estado de S. Paulo



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