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Engenheiro vira o profissional da vez
"Boom imobiliário provoca corrida pela contratação de mão de obra qualificada. Empresas aceleram programas de trainee."

Data da Notícia: 27/07/2009


O mercado está para os engenheiros, que começam a fazer falta nos canteiros
de obra. O boom vivido pelo setor imobiliário, principalmente na baixa
renda, provoca uma corrida pela contratação desses profissionais que, pela
primeira vez, vão participar de programas de trainee de construtoras e
incorporadoras. A Gafisa e a Tenda lançaram ontem o programa Comece bem,
para seleção de engenheiros das áreas civil e de produção para atuar em
diversas regiões do país.

 A demanda por esses profissionais cresce não só no segmento da engenharia
civil como também de minas, mecânica, de produção e siderúrgica. O mercado
mais amplo reflete-se nos números de interessados em ingressar na
profissão. No primeiro semestre de 2008, a Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais (PUC Minas) registrou 669 inscritos para o vestibular de
engenharia (civil, mecânica, elétrica, automação e produção). Este ano, o
número de interessados chegou a 2.124, incluindo os candidatos do novo
curso de engenharia civil, da unidade do Barreiro.

 O vice-diretor da Escola de  Engenharia da Universidade Federal de Minas
Gerais (UFMG), Rodney Rezende Saldanha, avalia que setores da economia que
tiveram incentivos do governo estão necessitando cada vez mais de
profissionais da área. “Com o aumento do volume de venda de automóveis, a
demanda pela engenharia mecânica está sendo retomada. Existe também algum
sinal de retomada nas áreas de minas e metalurgia, com o anúncio de
investimentos nas siderurgias.”

 A situação também é percebida pelo gerente de projetos e desenvolvimento
do grupo de recrutamento Selpe, Robson Barbosa. “Hoje não existe escassez
de engenheiros no mercado, mas há pouco tempo isso era realidade e pode ser
que volte a ocorrer novamente. Por isso, já estamos sendo procurados por
empresas interessadas em abrir processos de seleção de estágio e trainee
para formação de talentos”, explica. A escassez de mão de obra é mais
expressiva quando é necessária a contratação de profissionais com mais
experiência. Para suprir essa demanda, empresários do setor ampliaram os
investimentos em cursos de   especialização.

 O Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot-MG)
finalizou este mês na Fumec a primeira turma de qualificação de engenheiro
civil para a construção pesada. Os estudantes são alunos dos últimos
períodos de graduação e recém-formados. O curso foi feito em parceira com a
faculdade, o sindicato e o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem
(DER). “A formação dos engenheiros não aconteceu na mesma velocidade do
avanço das obras. O bom profissional está escasso, pois muitos foram para
outros setores no passado, por falta de mercado”, afirma Alberto Salum,
presidente do Sicepot-MG. O engenheiro civil José Guaraci D’Ávila Reis
trabalha no ramo da construção civil há 30 anos. Ele tem uma empresa no
setor, focada em obras para a baixa renda. Atualmente, tem uma vaga aberta
para engenheiro, mas afirma que o profissional com boa formação é difícil
de ser encontrado. “É um bom momento para o recém-formado e engenheiros em
busca de emprego”, diz. Ele afirma que a remuneração de muitos
profissionais chegou a crescer 40% nos últimos dois anos.  		

Fonte: Paula Takahashi e Geórgea Choucair



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