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Profissionais do futuro não vão poder
parar de estudar
"" Data da Notícia: 25/05/2009 Numa economia mais rápida e inovadora, os trabalhadores vão precisar de
aperfeiçoamento contínuo. Os mais bem-sucedidos serão os que combinam
várias especialidades.
Você já ouviu falar de um gerente de ecorrelações? É o sujeito encarregado
de desenvolver programas ambientais da empresa em parceria com ONGs,
governos e comunidades locais. O cargo praticamente não existe hoje. Mas
deverá ser comum em 2020, dada a preocupação com o meio ambiente, segundo
um estudo do Programa Profuturo, da Fundação Instituto de Administração da
Universidade de São Paulo. O estudo aponta várias profissões que mal
existem agora e deverão estar em voga em 2020. As previsões se baseiam em
algumas mudanças na economia e na sociedade brasileiras: uma população mais
velha (que demanda serviços específicos), a evolução da tecnologia e das
comunicações, a necessidade do aperfeiçoamento contínuo de profissionais, o
imperativo da inovação num mundo mais competitivo. Essas mesmas pressões
vão afetar as carreiras tradicionais – talvez até o modo como encaramos a
profissão. Eis as principais tendências.
Mais vida, mais trabalho
Com a queda nas taxas de natalidade, haverá menos jovens para ingressar no
mercado de trabalho. Por isso, as empresas vão precisar das pessoas por
mais tempo – pelo simples fato de que não terão como substituí-las. E as
pessoas também vão precisar das empresas. Com o aumento da longevidade, a
conta da aposentadoria fica mais complicada: teremos mais anos pela frente,
e a maioria de nós terá de trabalhar até mais tarde, para poupar mais. Isso
não quer dizer que os mais velhos ficarão em cargos de comando eternamente.
Num mundo governado pelas inovações, a pressão pela mudança na chefia é
muito forte. Pode se fortalecer a tendência de os profissionais
desenvolverem, a partir da meia-idade, a segunda ou a terceira carreira.
O profissional transversal
Há muito tempo, um profissional estudava durante quatro ou cinco anos e
aquele conhecimento lhe bastava pelos 35 anos seguintes. Esse tempo acabou,
e a pressão pela atualização – ou revolução completa – dos conhecimentos só
tende a aumentar. No futuro, as carreiras mais promissoras não serão
formatadas apenas num curso superior específico. “Serão profissões
transversais, que cruzam diversos campos do saber”, diz James Wright,
diretor do Profuturo. Elas vão exigir, além da formação acadêmica
tradicional, um esforço extra para entender de outras áreas. “Só com
educação continuada o profissional vai se manter no mercado”, diz a
pesquisadora Renata Spers, também do Profuturo. “Além de altamente
especializados, os trabalhadores de 2020 terão de ser generalistas.”
Horas extras, muitas horas extras
A receita não é nova. Para subir na carreira, o profissional terá de
trabalhar cada vez mais duro – incluindo horas extras e cursos noturnos.
Numa economia que cresce mais que a força de trabalho, é necessário
aumentar a eficiência. E aumentar a eficiência significa, em geral,
trabalhar mais. O avanço tecnológico é uma faca de dois gumes: ele aumenta
a produtividade, mas também aumenta a possibilidade de estar conectados com
o trabalho o tempo todo.
...com qualidade de vida
Daqui a uma década, a geração nascida entre 1980 e 1990 chegará aos cargos
de chefia. É uma geração que preza a qualidade de vida e o desenvolvimento
pessoal. O que significará essa troca de bastão? É possível que as empresas
se tornem menos hierarquizadas – bem de acordo com uma economia mais
avançada, em que decisões precisam ser tomadas não apenas no centro do
poder, mas em cada ponta – e que isso traga oportunidades de crescimento
sem ascensão profissional. Em outras palavras, é provável que muita gente
desista da carreira tradicional e opte por atividades menos exigentes,
remuneradas mais modestamente. O trabalho remoto – facilitado pela
tecnologia – pode evoluir, mas não muito. “O trabalho remoto serve para
algumas profissões, mas a maioria das pessoas precisa da interação com os
colegas para ter novas ideias e coordenar os esforços”, diz Wright, do
Profuturo.
Terceirizados, com projetos
A nova geração é mais propensa a trabalhar com projetos, pulando de uma
empresa para outra com ainda mais versatilidade que a geração atual.
Grandes empresas já sentem os efeitos dessa mudança de comportamento em
seus estagiários e trainees. Elas desenvolvem programas atraentes com
planejamento de vários anos de carreira, e vários deles dizem que não
querem ficar muito tempo numa empresa só, pois aprenderiam menos. O que se
configura para o futuro são empresas com executivos extremamente
valorizados e equipes variáveis, muitas vezes terceirizadas. Essa
mobilidade dribla uma dificuldade atroz no mercado brasileiro: a rigidez da
legislação trabalhista. Ao abrir mão da carteira assinada – que traz altos
custos para o empregador –, o profissional receberá mais dinheiro por seu
trabalho. Esses prestadores de serviço devem seguir uma tendência percebida
no setor agrícola: a formação de cooperativas. “Dessa forma, o terceirizado
deixa de ser mão de obra e se torna empresário”, diz L uiz Carlos Barboza,
diretor técnico do Sebrae. O setor de serviços é um dos mais promissores
para 2020. Outro aspecto apontado por Barboza é a implementação da Lei do
Microeemprendedor Individual, que começará a vigorar em julho. Ela vai
facilitar o crédito e simplificar os impostos. Segundo o Ministério do
Trabalho, 10,3 milhões de pessoas sairão da informalidade, criarão negócios
e gerarão empregos.
O avanço feminino
No Brasil, elas ingressaram em massa no mercado de trabalho na década de
1980. Mas até hoje não ascenderam em grande número aos postos mais
graduados das empresas. Há vários motivos para essa disparidade, desde um
suposto machismo no mundo do trabalho até as escolhas pessoais de um grande
número de mulheres que prefere a vida doméstica ou um trabalho menos
estressante. Certamente não é falta de competência, como mostra um estudo
da consultoria americana Catalyst, especializada em pesquisa sobre mulheres
no trabalho. A pesquisa constatou que as grandes empresas americanas com
muitas mulheres em cargos de comando pagaram a seus acionistas dividendos
maiores que as demais. Não será um bom motivo para contratar mais mulheres?
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