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Brasil terá 230 mil vagas para setor de
TI em até quatro anos
"" Data da Notícia: 15/10/2008 O Brasil ocupa hoje a 11ª posição no ranking mundial de Tecnologia da
Informação (TI), tendo movimentado em 2007 cerca de US$ 10 bilhões. As
empresas do segmento financeiro são as que mais consomem serviços de TI no
País, contribuindo com 36% do faturamento das empresas. Dados do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apontam de que,
mesmo com a crise no cenário internacional, a partir de 2010, a produção de
software no Brasil deverá ampliar as exportações do setor em mais US$ 3,5
bilhões. Toda essa demanda faz com que o Brasil passe por um momento de
escassez de profissionais no mercado de Tecnologia da Informação (TI) - há
cerca de 30 mil vagas em aberto no setor, de acordo a Associação Brasileira
de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (BRASSCOM).
Conforme a entidade, em quatro anos serão lançados 230 mil postos de
trabalho na área de tecnologia no Brasil, sendo que o Ministério da Ciência
e Tecnologia afirma estar investindo para que até lá sejam formados 100 mil
profissionais. Ou seja, com os profissionais já existentes mais os futuros
formados, serão 170 mil pessoas. Ainda assim, o mercado permanecerá com um
déficit de 60 mil profissionais qualificados até o período estipulado.
Uma das grandes dificuldades do mercado é o número de alunos que
abandonamos cursos de TI: em 2006, 44,9 alunos ingressaram em alguma
instituição de ensino na área de TI no País, mas apenas 16,9 mil concluíram
a faculdade, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estudos e
Pesquisas Educacionais (INEP), vinculado ao MEC.
Luciana de Pieri, Gerente de RH da Tata Consultancy Services (TCS), empresa
indiana de tecnologia da informação do Grupo Tata - que faturou US$ 28,8
bilhões em 2007 -, acredita que o grande índice de desistência dos bancos
escolares deve-se à falta de maneiras de incentivar as pessoas a concluírem
a graduação. "Os alunos começam a trabalhar e, como muitas vezes os módulos
não suprem as necessidades profissionais dessas pessoas, elas acabam
desistindo. Muitos trabalham na área sem ter a graduação", afirma.
Para driblar a intensa falta de profissionais no mercado, a TCS tem
parcerias com instituições de ensino, como Impacta, especializada em cursos
de TI, Anhembi Morumbi e Fundação Bradesco, com grades de aula que estão de
acordo com o perfil de profissional que a empresa precisa. "O aluno passa
três meses em treinamento, na sala de aula, e mais seis em treinamento, na
empresa. Esta foi a forma que encontramos de formar profissionais
exatamente com o perfil que precisamos", finaliza.
Jairo Cardoso de Oliveira, chief operating officer da Siemens IT Solutions
and Services, explica que outro problema sério no mercado de TI são os
profissionais que não dominam idiomas estrangeiros.
"Muitas vezes conseguimos um profissional sênior, mas ele não domina outro
idioma. Ou seja, ele entende perfeitamente os processos, mas não consegue
se comunicar com o time global", explica. Para solucionar o problema, a
Siemens oferece ao profissional um treinamento em idiomas e absorve o
profissional, sempre de acordo com seu desempenho na função.
A catarinense Sênior Sistemas, desenvolvedora de softwares de gestão
empresarial, também aposta na capacitação profissional como iniciativa
própria para conseguir suprir a falta de profissionais do mercado e, para
isso, fez parcerias com a Faculdade de Ciência e Tecnologia do Vale (FCTV)
e com a Edubrix, consultoria em educação corporativa, para criar um curso
de pós-graduação a distância para formar consultores de tecnologia.
"O objetivo da iniciativa é capacitar profissionais para suprir a demanda
de especialistas em Tecnologia da Informação, principalmente consultores de
implantação. Os alunos que apresentarem melhor desenvoltura nos trabalhos
em equipe serão contratados no final do curso", disse Omar Lorenzini
Júnior, diretor de Serviços da Sênior Sistemas.
Para Julio Cunha, diretor executivo da Edubrix, "a grande demanda do País é
gerada pelo mercado interno, que precisa informatizar os negócios". O
diretor executivo da Associação Brasileira de das Empresas de Software e
Comunicação (BRASSCOM), Sérgio Sgobbi, aposta que o mercado brasileiro
continuará em busca de profissionais qualificados mesmo com a crise, que
"vai afetar mais o mercado interno. As exportações seguirão", afirma.
Incentivo
Em maio, o Governo Federal aprovou um pacote de medidas (Política de
Desenvolvimento Produtivo), para incentivar a exportação de softwares
brasileiros: Isenção de 10% nas contribuições trabalhistas, redução de 3,1%
nas contribuições ao Sistema S (Sesc, Senai e Sesi) e redução na
contribuição do imposto de renda se investir em educação. |
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