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Brasil precisa de 350 mil novos
enfermeiros, urgente
"" Data da Notícia: 30/04/2008 Mas não faltam cursos de graduação na área de Enfermagem?Temos um número
grande de novos cursos e escolas aprovadas pelo MEC (o Ministério da
Educação). De janeiro a março deste ano foram 33 projetos que entraram no
MEC e 19 foram aprovados. Ao mesmo tempo que queremos ampliar o número de
profissionais enfermeiros no Brasil, nos preocupa a posição do MEC, que
autoriza esses novos cursos e joga no mercado profissionais com formação
duvidosa numa área estratégica que é a área da saúde. É temeroso criar
cursos sem saber se eles têm qualidade, se de fato têm laboratórios,
condições para formar os profissionais. A discussão é complicada porque é
dúbia. Nós queremos sim mais enfermeiros, mas queremos com formação de
qualidade, perfil e competência para dar conta das necessidades das pessoas
que procuram os serviços de saúde no Brasil. Além disso, há o problema da
falta de cursos em lugares distantes, em pequenas cidades. Eles continuam
concentrados em capitais e nas regiões Sul e S udeste.
E o que é preciso fazer para melhorar a qualidade dos cursos de
graduação?Nós, da Associação Brasileira de Enfermagem, estamos definindo a
necessidade de cada projeto de curso passar pelo crivo da Comissão
Intersetorial de Recursos Humanos do Conselho Nacional de Saúde. É preciso
saber se determinado local precisa de um curso de Enfermagem, se há mercado
de trabalho, se a instituição tem condições, tem laboratório, tem
biblioteca, corpo docente adequado ao número de alunos. Nós queremos que o
MEC, junto com Ministério da Saúde, invista nesses processos criteriosos.
Que só libere a abertura de cursos quando esses pontos sejam atendidos.
Há muitas pessoas interessadas no curso de Enfermagem?É uma profissão que
cresce no Brasil. A procura é grande. Os vestibulares têm uma concorrência,
em média, de 20 candidatos por vaga.
A senhora também defende que o Brasil dê prioridade à medicina
preventiva.Eu prefiro usar o termo promoção à saúde. Além da prevenção,
você adota ações para promover a saúde. Com isso, reduz custos dentro do
sistema de saúde e diminui o ônus social. Não se fala apenas do custo com a
assistência na rede hospitalar, que é altíssimo. Existe o custo social
porque o trabalhador tem que se ausentar do trabalho para fazer o
tratamento. Então, é preciso investir em um sistema que promova a saúde e
não a doença. Claro que isso envolve um conjunto enorme de fatores, um
trabalho intersetorial, porque você precisa melhorar as condições de vida,
de renda e empregabilidade. É complicado, mas esse é o desafio colocado
para o Brasil e para todos os sistemas do mundo. A questão não é só nossa.
O Brasil está caminhando para isso?O Sistema Único de Saúde coloca bem
claro quais são os princípios, as diretrizes da integralidade da
assistência, a descentralização. São duas décadas perseguindo isso. Está na
lei, na Constituição brasileira. A Associação Brasileira de Enfermagem está
lutando pela consolidação desse sistema Ele está em processo de construção,
precisa de investimento, de organização das estratégias. E a participação
popular é cada vez mais importante.22/04/2008 - A presidente da Associação
Brasileira de Enfermagem (Aben), a paranaense Maria Goretti David Lopes,
diz que o número de enfermeiros com nível superior no Brasil precisa dobrar
para que haja profissionais suficientes para atender a demanda em todo o
país. Ela explica que a deficiência está, especificamente, na quantidade de
enfermeiros com graduação, capazes de assumir a coordenação de equipes. Não
faltam aqueles com cursos de nível médio e técnico. Segundo Maria Goretti,
é preciso formar pelo menos 350 mil enfermeiros.
Este é um dos assuntos tratados no 2º Seminário Internacional sobre o
Trabalho na Enfermagem, que terminou sábado. Os profissionais, reunidos em
Curitiba, também questionam a qualidade dos cursos de Enfermagem que estão
sendo criados no Brasil. Maria Goretti afirma que a abertura de cursos é
positiva porque ajuda a formar mais gente, mas ela teme que não esteja
havendo a preocupação com a qualidade.
Qual é o número de profissionais atuando no Brasil?Somados os enfermeiros
com nível superior, nível médio e técnicos, são mais de um milhão.
Respondemos por 60,2% da força de trabalho em saúde no Brasil. Tem muita
gente, mas o que falta é o profissional graduado, responsável pela
coordenação das equipes de trabalho. Desses, temos 350 mil.
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