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Em breve não bastará o diploma superior
"Em breve não bastará o diploma superior " Data da Notícia: 25/10/2004 De 30 anos para cá, a demanda por cursos superiores fez crescer,
significativamente, o número de universidades e faculdades privadas e,
portanto, de profissionais por elas graduados. As instituições públicas de
ensino fundamental e médio, sejam federais, estaduais ou municipais, vêm,
no mesmo período, se deteriorando a olhos vistos e prejudicando o acesso de
seus alunos às universidades públicas. Os sistemas de cotas, em que pese o
caráter de resgate sócio-racial, trazem péssimas perspectivas para um
ensino de qualidade, com tendências a fazer despencar os níveis de
excelência das instituições públicas de terceiro grau que ainda os detêm.
Já não há seleção com exigibilidade de formação básica comprovada para
acesso ao ensino superior privado. Aceitam-se ''clientes'' pagantes, como
em qualquer comércio, com a finalidade de vender cursos a preços
competitivos. Sou de um tempo em que os professores primários (nível 2º
grau) eram reverenciados e respeitados pela cultura e instrução. E
mereciam, pois para cursar e diplomar-se pelas escolas normais eram
exigidos conhecimentos múltiplos. É hoje comum deparar-se com diplomados
por faculdades e universidades que falam e escrevem mal, além de terem
deficiências de raciocínio matemático e ausência de qualquer formação
humanística. São produtos de um sistema heterogêneo de cursos superiores
que, semestralmente, despeja no mercado ''profissionais'' sem a necessária
qualificação. Em moldes semelhantes aos que já pratica a OAB, com o exame
da Ordem que transforma bacharéis em advogados, as residências médicas são
necessárias para a qualificação profissional e constituem saudável proteção
à nossa saúde. Mesmo assim, médicos e advogados com sérios problemas de
formação não são raridades no nosso imenso Brasil.
Sob alegações de erros passados, de cunho político, econômico e social,
diversas necessidades básicas do povo ainda não são atendidas pelo poder
público. O ensino e a formação educacional precisam, entretanto, ser
excepcionalmente tratados com urgência e perseverança. Além de reformular e
adequar, ''para ontem'', a educação fundamental, nossos cursos superiores
precisam ser capacitados para a geração de profissionais plenos em suas
funções. Nos níveis de heterogeneidade acadêmica a que chegamos, não há
saída que não seja partir para a exigência da Certificação Profissional,
como já é corriqueiro no Primeiro Mundo. Os graduados em cursos superiores,
no Brasil, deverão também, dentro em breve, submeter-se a avaliações e, se
não estiverem aptos ao desempenho de suas funções, obrigados a complementar
os estudos e prestar novos exames. As instituições de ensino superior terão
de vencer suas deficiências.
O ''simples'', e muitas vezes arduamente suado, diploma de curso superior
será brevemente apenas uma porta entreaberta para os graduados. Cada
profissão, para ser exercida em sua plenitude, necessitará da Certificação
Profissional, ou seja, de uma comprovação individualizada da qualificação
específica. Os conselhos e ordens, que regulamentam as diversas profisões,
precisam fugir do corporativismo. Se não agirem espontânea e rapidamente
para cumprir este papel, que lhes cabe, serão, em breve, surpreendidos por
uma medida legal do governo. Isso se Deus quiser! E oxalá Ele queira! |
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