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Aumentam as oportunidades para os recém-formados
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Data da Notícia: 07/01/2008


Quando Bianca, Sergio, Gustavo e Leandro entraram na Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo, entre 2002 e 2003, a engenharia não estava em
alta, faltavam bons empregos e muitos formandos iam trabalhar no mercado
financeiro. Agora, na vez deles, banco é opção, não uma necessidade.

 Um engenheiro recém-formado que vai trabalhar na General Motors ganha R$
3,2 mil. É o caso de Bianca Ito e Sergio Katsumi Beppu. Eles entraram ano
passado na montadora, como estagiários, e antes de concluir o curso na Poli
foram contratados. O processo seletivo para estagiário da GM teve 8 mil
inscrições e cerca de 150 deles foram aprovados. "Já houve época em não
havia efetivações. Agora, oportunidades não faltam", diz Bianca, de 26
anos, feliz em trabalhar no setor automobilístico. "A rotatividade tem sido
muito alta, mesmo para quem já está empregado", afirma Sergio, de 24, que
está entusiasmado em poder desenvolver carros globalizados, com equipes de
outros países.

 A indústria automobilística encerrou o ano com 1,196 milhão de empregados,
vendas para o mercado interno de 2,450 milhões e produção de 2,975 milhões,
ambos recordes históricos. Em 2008, a Anfavea, entidade da categoria,
projeta vender 2,880 milhões no País e produzir 3,240 milhões. Se
mantivesse a média de carros produzidos por trabalhador, serão criadas mais
10,6 mil novas vagas. A LCA Consultores estima que todo o setor de material
de transporte, incluindo as montadoras, vai ter de contratar 33,7 mil
empregos em 2008.

 "Se o País crescer acima dos 5%, vamos bater a marca dos 2 milhões de
empregos formais", afirma o professor de economia da Unicamp Claudio
Dedecca. Especialista do mercado de trabalho, ele vê convergência nas
previsões para 2008. "A não ser que venha um vendaval externo, as
possibilidades de crescimento do emprego são totais." Em sua análise, o
crescimento do emprego nas montadoras e construção civil são excelentes
indicadores, pois acabam irradiando para outros setores da economia. E como
os investimentos em maquinários ocorrem desde 2005, o Brasil vive agora o
momento de incorporar essa capacidade produtiva.

 Foi no estágio que Augusto de Andrade Poletto, de 22, percebeu a mudança
interpretada por Dedecca. Na Voith Paper, empresa líder no fornecimento de
máquinas e equipamentos para o mercado produtor de papel e celulose, ele
via a maioria dos pedidos direcionados para o exterior. Com a queda do
dólar, em vez de crise ou demissões, o maquinário está suprindo a demanda
interna. "Antes não sabia muito como seria quando me formasse, mas agora
está sendo uma boa surpresa", diz o politécnico da USP.

 Leandro Ligeiro Gonçalves, de 22 anos, está entre os mais de 60 formandos
da engenharia mecânica da Poli. Acabou de ser contratado pela AmBev. Foi um
dos 35 trainees selecionados entre 48 mil candidatos. Filho de engenheiro,
ele quer seguir a carreira com perfil mais administrativo. Apesar de saber
das várias opções do mercado, optou pela gigante fabricante de bebidas por
acreditar que é um setor com perspectivas de crescimento. Está certo: a
indústria alimentícia tem impulsionado o crescimento da produção
brasileira.

 Crescimento que tem se ramificado até para profissões consideradas mais
estáveis, como a advocacia. Ubirajara Cardoso da Rocha Neto, de 24 anos,
cursa o último ano de direito na Pontifícia Universidade Católica. Antes de
ingressar no Mattos Filho Advogados, estagiou em quatro escritórios e num
deles presenciou momentos ruins no mercado. "Vi uma demissão em massa,
várias baias ficando vazias", diz. "Ao longo da faculdade, esse quadro se
inverteu." O escritório Mattos Filho tem se beneficiado das fusões e
aquisições empresariais, das aberturas de capital na Bolsa, do aumento de
disputas jurídicas numa economia mais competitiva. Vem ampliando os
escritórios de São Paulo, Rio e Brasília e abriu uma unidade em Nova York.
E as contratações de estagiários vêm crescendo a taxas superiores a 20% ao
ano. Em 2008, 25 formandos de faculdades de direito serão efetivados. Há
três anos, foram 10.		

Fonte: Último Segundo



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