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A vida após o MBA
"A vida após o MBA "

Data da Notícia: 06/07/2004


Um bom curso muda (para melhor) a carreira de um profissional. E ainda
engorda seu salário

Nos últimos 10 anos, os cursos de extensão universitária passaram a fazer
parte do dia-a-dia dos executivos brasileiros e se transformaram em uma
espécie de passaporte para o ponto mais elevado do mundo corporativo. Por
conta disso, a presença de um MBA, uma pós-graduação ou de um curso de
especialização no currículo tornou-se objeto de desejo para quem almeja
subir de posto na empresa, mudar de endereço comercial ou mesmo estabelecer
uma boa rede de relacionamentos; o chamado networking. Pesquisa recente
feita pela filial paulista do Instituto Brasileiro do Mercado de Capitais
(Ibmec) mostra o "poder mágico" das letrinhas MBA, por exemplo: 65% dos
ex-alunos da instituição de ensino disseram que sua vida profissional
melhorou ou melhorou muito. O reajuste médio nominal foi de 73%, para quem
permaneceu na corporação, e de 90% para aqueles que mudaram de emprego. E
mais. Vinte e três por cento dos alunos com grau de gerência foram
promovidos para cargos de superintendência ou diretoria. Por conta disso, é
razoável concluir que esses cursos funcionam como um atalho para aqueles
que querem chegar mais rápido ao topo no mundo corporativo. Foi exatamente
isso que aconteceu com Patrícia Fabian Holzmann, 28 anos, gerente de
Telecomunicações da Siemens do Brasil. A jovem ingressou na empresa, em
1998, no Programa de Desenvolvimento de Talentos (PDT) e fez uma carreira
meteórica. Formada em administração pela Escola Superior de Propaganda e
Marketing (ESPM), ela atuou como consultora financeira no grupo encarregado
de montar a engenharia financeira dos investimentos no emergente setor de
telefonia. Acabou tomando gosto pelos números. "A necessidade de
especialização fez com que eu procurasse um curso de MBA em vez de optar
pela pós-graduação ou mestrado", diz. O apoio da empresa, que bancou parte
dos custos, foi vital para que ela conseguisse uma vaga no seleto MBA em
Finanças da Universidade de São Paulo (USP), em 2000. Apesar da pouca
idade, ela tinha 24 anos na época, Patrícia diz que não teve problemas para
acompanhar o ritmo da turma. "A experiência adquirida no dia-a-dia me deu a
confiança necessária para encarar o desafio", explica. 
Fernando Viriato de Medeiros, 40 anos, diretor de gestão de pessoas do
Grupo Accor, é outro que ascendeu na carreira depois de colocar no
currículo as três letras mágicas. Profissional com larga experiência na
área de recursos humanos, ele nutria a idéia de fazer MBA desde que
ingressou na companhia. Cursou o MBA da Fundação Dom Cabral e na seqüência
rumou para Chicago (EUA), onde se especializou em marketing e estratégia na
Kellog School of Management. No final de 2002 foi guindado ao cargo atual.
"O MBA acelerou minha ascensão dentro da empresa", garante Medeiros. Mas,
afinal, o que o MBA oferece de tão importante? Os bons cursos ajudam a
desenvolver o raciocínio lógico, o pensamento estratégico e também o grau
de competitividade dos executivos. Ao conviver com profissionais
tarimbados, oriundos de culturas empresariais diferentes, os alunos
conseguem ampliar sua visão de mundo. "Debatemos temas mais amplos que
aqueles que são discutidos dentro das organizações", complementa o
consultor de Recursos Humanos Sergio Nery, 50 anos. 
Para Nery, o MBA funcionou como um ponto de inflexão. Deixou para trás 12
anos de American Express (Amex) para abraçar a carreira de consultor e
atuar na vida acadêmica. Hoje, além de lecionar no curso de gestão de
pessoas e cultura organizacional, na ESPM, ele é o responsável pela cadeira
de gestão do conhecimento e habilidades gerenciais no MBA da USP. Nery
também está do outro lado do balcão: é aluno do curso de pós-graduação em
filosofia na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). O "MBA é um divisor
de águas na trajetória de um profissional", opina o ex-gerente sênior de
Desenvolvimento de Pessoal da Amex. Em alguns casos, ajuda até mesmo na
vida sentimental. A jovem Patrícia, por exemplo, conheceu o noivo Marcelo,
na época que freqüentava as aulas na USP. "Vamos casar até o final do ano",
diz ela. 		

Fonte: Revista IstoÉ Dinheiro, Edição 357



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