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Plágio de trabalhos acadêmicos se
profissionaliza com a internet
"" Data da Notícia: 07/05/2007 “Calouro de um curso da área de Exatas, o estudante Fábio, 19 anos, mal
ingressou na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e já utilizou recursos
inadequados para conseguir nota em uma disciplina. Ele confessa que, diante
da falta de tempo, entregou ao professor um texto copiado da internet. O
plágio em trabalhos acadêmicos não é novidade em instituições de ensino
superior, públicas ou particulares. Na graduação – quando as exigências
quanto a referências e citações são menores que em cursos de pós-graduação
– não é difícil encontrar professores que tenham recebido trabalhos como o
de Fábio. Embora comum, copiar textos sem dar o devido crédito ao autor,
além de antiético, é crime.”
Casos recentes levaram à reprovação de alunos No segundo semestre de 2005,
na Unibrasil, em Curitiba, 17 estudantes de Direito foram reprovados e dois
foram expulsos por plágio. De acordo com o coordenador-geral do curso,
Emerson Gabardo, existe um sistema de verificação muito rigoroso, o que
acaba resultando num alto índice de casos confirmados. Há uma pessoa
designada exclusivamente para conferir as normas técnicas dos trabalhos e a
originalidade dos textos.
Ele evita dizer que a prática é mais grave quando parte de acadêmicos de
Direito. “Não precisa de formação jurídica para saber que é errado”,
argumenta. Para ele, é um problema crônico, associado à inabilidade dos
alunos para a leitura e a escrita.
Na relação entre quem compra e quem vende o serviço não há lastro legal.
Portanto, cada parte não tem a quem queixar-se se o produto não foi
entregue a contento ou mesmo se o pagamento não foi efetuado. Em uma
universidade curitibana, recentemente, um estudante foi à coordenação de
curso reclamar que um acadêmico não havia pago os R$ 200 acordados pela
monografia solicitada. Ambos foram reprovados. Os casos geralmente são
mantidos em sigilo principalmente porque as universidades avaliam que a
imagem das instituições pode ser maculada com alunos tidos fracos, que não
conseguem fazer os próprios trabalhos.O primeiro parágrafo dessa reportagem
foi copiado do jornal interno da Universidade de Brasília (UnB) e serve
para mostrar como é fácil se apropriar da produção alheia. Bastou uma
procura rápida num sistema de buscas na internet de alguma referência sobre
o assunto e mudar o nome da instituição e do estudante, para provocar a
sensação de verossimilhança e aproximação. Não exis tem estimativas
conclusivas sobre a prática de plágio, mas os professores consultados pela
Gazeta do Povo são unânimes em afirmar que ela é a cada dia mais freqüente.
Especializado
Há os casos de plágio amador, com estudantes tentando se “resolver”
sozinhos, copiando ou adaptando textos da internet e de livros. Mas o
plágio no meio acadêmico alcançou níveis profissionais. Cartazes nos murais
de universidades, páginas na internet e propagandas no site de
relacionamentos Orkut oferecem todos os tipos de trabalho para os
estudantes, desde resenhas de livros a teses de doutorado. O negócio se
especializou de tal forma que algumas “prestadoras de serviço” se
apresentam como empresas confiáveis, com registro na Junta Comercial e
endereço fixo. E prometem originalidade nos trabalhos.
Os preços variam muito. Monografias prontas, sem direito a alterações,
custam a partir de R$ 50. Um exemplo é o site www.soimprimir.com.br. Já o
trabalho personalizado e a oferta de segurança exigem desembolso maior. A
reportagem fez um orçamento on-line de 50 páginas de material inédito ao
custo de R$ 750, parcelados em duas vezes. O “serviço” permite que o
contratante escolha o tema, indique livros e peça mudanças de acordo com as
recomendações do orientador. Muitos professores prestam serviço para essas
empresas ou oferecem o trabalho de forma “autônoma”.
Historiador e cientista político com a experiência de 15 anos como
professor universitário, desde 1999 Públio Athayde decidiu se dedicar
exclusivamente à revisão de textos acadêmicos e montou uma editora. Depois
de ver o número de pedidos de correção e adequação às normas técnicas
despencar, ele e outros colegas procederam uma auditoria em 80 monografias
selecionadas de quatro cursos (dois de universidades públicas e dois de
particulares) de Belo Horizonte (MG). “O índice de fraude encontrado foi na
ordem de 70% dos trabalhos, que não resistem à menor verificação
sistemática”, conta.
A indignação o levou a criar uma comunidade no site de relacionamentos
Orkut, que ganhou o nome de “fraude acadêmica” e tem tópicos de
pesquisadores revoltados com o fato de terem se empenhado tanto e dedicado
tempo considerável para realizar uma pesquisa enquanto outros conseguem o
mesmo resultado sem esforço algum. “Não há como moralizar um aspecto
isolado em uma sociedade em que a fraude, o suborno e a corrupção são
socialmente aceitáveis. Vender um voto no Senado ou uma tese é a mesma
coisa, o preço é que é bem diferente”, pondera Athayde.
Fracasso escolar
Autor do livro Direitos autorais: entre as relações sociais e as relações
jurídicas, o doutorando Sérgio Said Staut Júnior conta que abandonou a
prática de pedir trabalhos aos alunos. Tinha sempre que conferir, caso a
caso, para saber se não eram cópias. Voltou a aplicar provas. A última
experiência com pesquisas de estudantes foi decepcionante. De 60 estudantes
de um curso de especialização em Direito realizado em Santa Catarina, 22
cometeram algum tipo de ilícito no trabalho final da disciplina. “Essa
situação é um atestado da péssima formação escolar”, resume. |
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