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Universidades apostam em perfil global
"A falta de engenheiros não é um problema exclusivamente do mercado brasileiro. Projeções da NASA indicam que de 1998 a 2008, somente 198 mil estudantes terão se formado nas área de ciências e engenharia, contra dois milhões de prováveis aposentados."

Data da Notícia: 22/01/2007


A falta de engenheiros não é um problema exclusivamente do mercado
brasileiro. Projeções da NASA indicam que de 1998 a 2008, somente 198 mil
estudantes terão se formado nas área de ciências e engenharia, contra dois
milhões de prováveis aposentados. Para apontar saídas e atualizar a grade
curricular dos cursos de engenharia, com o objetivo de aproximar os
profissionais das necessidades reais do mercado e contribuir para que eles
tenham um perfil mais global, oito renomadas universidades decidiram atuar
em um projeto conjunto.

 Fazem parte do grupo: a Universidade Técnica Darmstadt (Alemanha),
Instituto de Tecnologia de Massachusetts e o Instituto de Tecnologia da
Geórgia (dos Estados Unidos), a Escola Politécnica Federal de Zuri- que
(Suíça), as universidades Tsinghua e Jiaotong (da China) e a Universidade
de Tóquio (Japão) e Poli/USP. 

 "Nos Estados Unidos, o "gap" existe porque a cultura é focada no consumo e
não há incentivos para que os estudantes façam cursos de engenharia civil,
por exemplo", explica Marcio Lobo Netto, professor do núcleo de ciência
cognitiva da USP e um dos participantes do grupo. Cenário que acaba
favorecendo a ida de profissionais de outros países para estudar e
trabalhar lá. 

 De acordo com Lobo, é comum ter alunos indianos e chineses nos Estados
Unidos nos cursos de engenharia. Um estudo - conhecido por "Excelência em
Engenharia Global" - desenvolvido pelo grupo em parceria com a AG
Continental, empresa alemã do setor automotivo, constatou ainda que na
Alemanha a falta de profissionais acontece pelas mesmas razões do mercado
brasileiro. Outros setores da economia pagam mais e roubam os talentos,
inclusive quem sai da faculdade. "O engenheiro tem um potencial enorme e
capacidade lógica que atende a todos os mercados", afirma o professor. 

 Para tentar estimular os alunos a permanecerem na área, o grupo de
universidades está tentando mudar, inclusive os currículos, investindo na
troca de experiência através de intercâmbios. "Na Poli, por ano, 30% dos
alunos participam de programas deste tipo. Queremos que eles tenham o
perfil do engenheiro global, com ótimo conhecimento técnico, mas que
desenvolvam também o lado humano, como capacidade de comunicação, visão de
negócios, conhecimento de línguas e culturas de outros países". (AG)		

Fonte: Valor Econômico



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