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Robôs domésticos
"A meta da indústria mundial é fazer com que, em um futuro cada vez mais próximo, cada residência tenha um robô."

Data da Notícia: 26/07/2006


As estatísticas apontam para mais de 1 milhão de robôs em operação na
indústria mundial, mas atualmente é baixo o nível de pesquisas voltadas
para a criação de novos robôs industriais. Segundo especialistas, a
tendência, especialmente nos continentes asiático e europeu, aponta para a
massificação da utilização dos robôs visando ao aumento de sua interação
com os seres humanos. 

 “Indústrias totalmente automatizadas são um paradigma ultrapassado. Não é
algo economicamente viável”, disse Glauco Augusto Caurin, professor da
Escola de Engenharia Mecânica de São Carlos, da Universidade de São Paulo
(USP), em simpósio realizado na 58ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira
para o Progresso da Ciência. 

 “A robótica industrial é importante, mas são os robôs que devem cooperar e
se adaptar ao ser humano. Não é o ser humano que deve se adaptar à
máquina”, disse. 

 Segundo o pesquisador, a meta da indústria mundial é fazer com que, em um
futuro cada vez mais próximo, cada residência tenha um robô, principalmente
para realizar tarefas que nem sempre o homem tem vontade de fazer. E essa
realidade já começou com um marco importante para o setor: a venda, em
2005, de mais de 1 milhão de robôs aspiradores de pó. 

 Caurin apresentou os resultados do projeto “Habilidades sensório-motoras
aplicadas ao desenvolvimento de mãos artificiais robotizadas”, que tem
apoio da FAPESP. Para ele, considerando que os robôs devem ser utilizados
para aumentar a capacidade humana, nada foi mais desafiador do que
desenvolver um sistema que possa ser acoplado ao indivíduo. 

 “Nesse contexto, criamos com tecnologia nacional o protótipo de uma mão
artificial. O aparelho tem mobilidade independente em cada um dos dedos e
foi desenvolvido a partir de um plástico poliuretano à base de óleo de
mamona biocompatível, de modo a minimizar os níveis de rejeição do
organismo humano”, explica Caurin. O pesquisador lembra que uma prótese
equivalente em outros países custa cerca de R$ 72 mil. 

 Sadek Absi Alfaro, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da
Universidade de Brasília (UnB), chamou a atenção para a falta de incentivos
no Brasil, tanto na esfera pública como privada, para o desenvolvimento de
novos robôs. 

 “Enquanto na Coréia do Sul o governo determina que 1% do PIB do país seja
aplicado em pesquisas sobre robótica, o Brasil ainda não conta com nenhuma
política para o desenvolvimento do setor. O brasileiro ainda acredita que o
robô pode tirar empregos da indústria nacional”, lamentou. 

 De acordo com Alfaro, existem cerca de 7 mil robôs em operação na
indústria brasileira, o que representa menos de 1% da produção mundial de
robôs. “Na indústria automobilística japonesa, por exemplo, existe um robô
para cada dez trabalhadores. No Brasil, apesar de não termos um número
exato, estima-se um robô para cada mil trabalhadores”, disse à Agência
FAPESP.
		

Fonte: Fapesp



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