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E se a internet parasse totalmente de
funcionar?
"Basta imaginar que por trás de quase tudo o que fazemos hoje há um tripé de insumos essenciais: energia, telecomunicações e tecnologia." Data da Notícia: 10/07/2006 Imediatamente, o caos seria generalizado. "Basta imaginar que por trás de
quase tudo o que fazemos hoje há um tripé de insumos essenciais: energia,
telecomunicações e tecnologia. E a internet foi capaz de juntar tudo isso
na tela do computador", diz Bob Wollheim, investidor de empresas de
tecnologia. "Perder a habilidade de se comunicar com facilidade, ainda que
por pouco tempo, significa retardar o nosso crescimento. Em vez de avançar,
estaríamos ocupados em reatar o que já existia", diz Ricardo Chisman, sócio
da consultoria em tecnologia Accenture. "Mas é tão improvável, que nenhuma
empresa prevê algo parecido em seu gerenciamento de riscos."
O caos seria temporário, mas afetaria a totalidade da população do planeta.
"A penetração da web chega a 70% nos países ricos, justo aqueles que mais
influenciam as compras e vendas do comércio mundial", diza especialista em
redes de computadoresTereza Cristina Carvalho, da USP. Se a queda
persistisse por mais de uma semana, aí, sim, passaríamos por uma adaptação
penosa. Klaus Kleinfeld, presidente da Siemens, chegou a declarar numa
conferência que isso não é impossível: "Tudo o que se precisa para derrubar
a internet é um computador e uma mente doentia que saiba como a rede
trabalha".
Funciona assim: o controle do tráfego é feito por 13 máquinas principais e
outras 1 000 interligadas pelo globo por cabos submarinos. Essas estações
secundárias fazem cópia da informação armazenada nas principais e podem
substituí-las a qualquer momento. Por isso, é mais fácil derrubar o sistema
com um vírus do que bombardeá-lo fisicamente. "O que torna a internet tão
vulnerável é a popularização das conexões rápidas, com micros desprevenidos
ligados o tempo todo em rede", afirma KC Claffy, diretora da Associação
Cooperativa para Análise de Dados da Internet (CAIDA, na sigla em inglês).
Foi essa característica da rede que permitiu, por exemplo, que em 2003 o
vírus Slammer infectasse 75 mil computadores em 10 minutos, incluindo os
servidores do Bank of America .
APOCALIPSE VIRTUAL
O impacto imediato seria grande, mas nada que não pudesse ser contornado
SERVIÇOS BÁSICOS
Efeitos imediatos
- O impacto não será tão grande, e o setor terá condição de se renovar e
seguir funcionando.
- Setor buscará antigas para normalizar seu funcionamento.
Haveria impacto elevado para serviços públicos, como é o caso da Receita
Federal, que hoje depende da rede, seja para expedir cópias de declarações
seja para controlar as importações e exportações do Brasil.
A suspensão de reservas de passagens e do controle do tráfego aéreo é
cogitada, pois a maioria das torres usam a web para a troca de dados.
A telefonia - incapaz de processar tantas ligações - também entraria em
colapso.
Efeitos a partir de uma semana
- Intercâmbio de tecnologias com outras áreas será fundamental.
Os governos dos países precisariam interferir nos negócios das empresas e
coordenar um projeto de investimentos em infra-estrutura, parecido com o
que acontece em casos de desastre natural ou pandemia. Ninguém sabe, por
exemplo, se faltará dinheiro em papel devido ao aumento da demanda. Como
comprar comida se ninguém tem dinheiro? Quem vai fornecer os mantimentos?
IMPRENSA
Efeitos imediatos
- Setor desempenhará um papel crucial na sociedade sem internet.
A mídia teria um papel fundamental, especialmente a TV: acalmar a população
e não estimular o pânico. "Ela ajudaria a propagar as decisões dos governos
quando todo mundo estaria ávido para saber o que fazer", diz Claffy.
Efeitos a partir de uma semana
- Setor precisará recomeçar do zero.
O mundo das notícias, claro, ficaria bem mais lento. Antes da web, os
jornalistas só tinham acesso aos dados do exterior que o jornal mesmo
comprava. "Depois do choque de democratização da informação, como voltar a
depender apenas da grande imprensa, sem nenhunzinho blog pra contestar? E
onde publicar nossas idéias e fotos?", diz Wollheim.
BANCOS
Efeitos imediatos
- O impacto não será tão grande, e o setor terá condição de se renovar e
seguir funcionando.
Com a paralisação do internet banking, só no Brasil são 26 milhões de
correntistas que teriam de enfrentar tumultos e filas quilométricas nas
agências e nos caixas eletrônicos.
Fora o atraso em um ou outro pagamento, não haveria colapso da atividade
econômica, pois as agências se comunicam por uma rede interna privada (que
não precisa passar pela web) e uma parte é atendida por satélite.
Efeitos a partir de uma semana
- O impacto não será tão grande, e o setor terá condição de se renovar e
seguir funcionando.
- Setor buscará antigas para normalizar seu funcionamento.
"Os bancos precisariam construir novas agências e colocar mais máquinas e
pessoas para trabalhar", diz Tereza Cristina. Clientes mais abonados
poderiam até receber do banco dispositivos que ligassem seus computadores
aos da agência mais próxima.
ECONOMIA
Efeitos imediatos
- Setor paralisado.
As empresas mais afetadas seriam aquelas que atuam e têm clientes no mundo
todo. Pelos menos metade delas, após uma interrupção duradoura da internet,
poderiam não voltar a operar. Quanto às economias nacionais, correm mais
riscos aquelas capazes de comportar e gerar mais tráfego na rede, como
Coréia do Sul, Japão, Alemanha e EUA. É que, quanto maior a largura de
banda, maior a disseminação dos vírus.
Efeitos a partir de uma semana
- Setor paralisado.
As finanças da Califórnia (EUA) e da Coréia do Sul estariam na lista
daquelas que entrariam em colapso.
A Coréia, por deter o maior número de empresas usuárias de banda larga. A
Califórnia, por concentrar 70% das companhias voltadas à tecnologia,
especialmente internet.
DADOS VIRTUAIS
Efeitos imediatos
- Setor paralisado.
Existem dados que só ficam guardados em servidores da web.
As empresas costumam guardar cópias desses conteúdos em discos físicos, mas
a gente não. Ficaríamos, portanto, sem as nossas fotos publicadas em
fotologs, mensagens de serviços de correio como Gmail e Yahoo, e contatos
do orkut e do MSN. Estima-se que 10 milhões de gigabytes de dados
(equivalentes a 830 mil filmes de longa-metragem) circulam diariamente na
rede.
Efeitos a partir de uma semana
- Ineditismo da situação obrigará a pesquisa de soluções igualmente
inéditas.
Se esses dados sumirem para sempre, não há o que fazer e nem a quem
reclamar. "Os contratos que as pessoas não lêem, mas aceitam, livra as
companhias de supostas indenizações por falha de serviço", diz Patrícia
Pack, advogada especialista em direito digital. |
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