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63% dos professores têm problemas na voz
"Pesquisa feita na rede particular de SP revela que 15,4 % dos docentes cogitam largar a profissão por dificuldades na fala."

Data da Notícia: 12/05/2006


Um estudo inédito feito em São Paulo mostra que 63% dos professores da rede
particular já tiveram problemas de voz. A pesquisa, feita pelo Centro de
Estudos da Voz em parceria com o Sindicato dos Professores de São Paulo, é
o primeiro estudo epidemiológico que aborda o tema no país. Ele será
apresentado hoje no Simpósio Internacional do centro, na Universidade
Federal de São Paulo (Unifesp). Os sintomas mais apontados pelos docentes
no levantamento foram garganta seca (51,7%), rouquidão (35,1%) e pigarro
(35,1%). Foram entrevistados 250 docentes do ensino particular de São
Paulo, do infantil ao superior, e 250 profissionais de outras áreas.
Enquanto no primeiro grupo mais de 60% disseram já ter tido problema vocal,
o percentual cai para 38,5% no segundo grupo. A metodologia foi a mesma
aplicada pelo pesquisador Nelson Roy, da Universidade de Utah, dos Estados
Unidos, no mais amplo levantamento de saúde vocal dos professores
norte-americanos. Até o final do ano, a pesquisa brasileira irá abranger as
redes pública e particular de todo o país.
 

 "Como os professores trabalham com a voz o tempo todo, eles estão mais
propensos a ter problemas", afirma a fonoaudióloga Fabiana Zambon, uma das
coordenadoras do estudo. Outra coordenadora da pesquisa, Mara Behlau cita
os seguintes pontos que agravam a situação da voz dos professores: carga
horária intensa, turmas numerosas, classes sem preparo acústico e falta de
conhecimento técnico do uso da voz. "Para eles, é até uma associação direta
o fato de ser professor e de ter problema de voz." A docente de artes no
ensino básico Marisa Cagno Ribeiro, 50, que já chegou a ficar três dias sem
voz, tem outra reclamação. "Os alunos estão muito indisciplinados.
Precisamos competir com eles e falar mais alto." O problema vocal dos
professores também foi analisado por um outro estudo, feito pela Unifesp,
pelo Ministério do Trabalho e pelo sindicato dos professores. O trabalho,
que envolveu 1.400 entrevistas com docentes da rede privada de ensino
superior, será apresentado num congresso em setembro. Uma das conclusões é
que 70% dos educadores têm chances de perder dias de atividade devido a
problemas na voz.
 

 "A variável que mais influi é o número de alunos por classe", disse o
chefe do setor de Laringologia e Voz da Unifesp, Paulo Pontes, um dos
organizadores. Os problemas de voz nos professores chegam a ser tão
preocupantes que 15,4% dos docentes afirmaram que pensam em largar as aulas
devido às dificuldades com a voz, segundo a pesquisa a ser apresentada hoje
na Unifesp. "Isso preocupa. Em física e química já há escassez de
professores", disse o presidente do Sieeesp (sindicato das escolas
particulares), José Augusto de Mattos Lourenço. Ele afirma que o sindicato
está promovendo oficinas específicas sobre o assunto.		

Fonte: Folha de São Paulo



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